Polícia investiga possível vazamento de informações sobre operação contra o PCC e Milton Leite em São Paulo
Ex-presidente da Câmara de São Paulo é alvo da investigação sobre suposta infiltração do PCC no transporte coletivo da capital paulista.

A Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação para apurar se houve vazamento de informações antes da deflagração da Operação Vectura Corrupta, ação que tem como alvo o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, e integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que estariam infiltrados no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
A suspeita de vazamento ganhou força depois que Milton Leite não foi localizado nem em sua residência, na região de Interlagos, nem no imóvel em Sorocaba ligado a um de seus assessores, onde a polícia realizou uma nova busca nesta sexta-feira (18). Na segunda operação, os agentes apreenderam R$ 280 mil e US$ 89 mil em dinheiro, mas o político novamente não foi encontrado.
O fato de o ex-vereador ter conseguido escapar de diferentes pontos de busca levantou suspeitas de que alguém possa ter informado antecipadamente sobre as ações da Justiça e os deslocamentos dos investigadores.
A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada na quinta-feira (17) pela Polícia Civil, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação aponta que 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital estariam sob controle direto ou indireto do PCC. Entre elas estão Viação Transcap, Transwolff, A2 Transportes, Move Bus e Qualibus Transportes.
Segundo uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), assinada pelo juiz Sérgio Ribas em 4 de setembro, a investigação é baseada em diálogos interceptados, documentos e dados financeiros reunidos durante as apurações. O Ministério Público aponta Milton Leite, de 70 anos, como "responsável direto" pela operação de várias dessas empresas e cita depoimentos de policiais militares ao Tribunal de Justiça Militar (TJM) que o identificam como proprietário de fato da empresa Transwolff.
A atual operação é um desdobramento de uma investigação anterior, denominada Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024. Na ocasião, as autoridades identificaram uma complexa rede de comunicação utilizada pelo PCC para manter contato entre integrantes da organização, tanto presos quanto em liberdade, com a participação de advogados ligados à facção.
Ao todo, 16 pessoas foram alvo de mandados de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta, entre elas o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e o ex-presidente da empresa municipal SPTrans, Levi Oliveira, ambos já presos.
Milton Leite, por sua vez, continua foragido após não cumprir o prazo de 24 horas que ele próprio havia anunciado para se entregar às autoridades. Enquanto as buscas pelo ex-vereador continuam, a Polícia Civil aprofunda as investigações para identificar se houve vazamento de informações que teria permitido ao político evitar a prisão.





















