PF atinge o coração do STF: operação contra deputado aliado de ministro reacende crise judicial no Brasil
Mandados autorizados pelo ministro Flávio Dino apuram suspeitas de exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e aliados.

A Polícia Federal do Brasil deflagrou nesta segunda-feira a terceira fase da "Operação Transparência", uma investigação que atinge diretamente a cúpula do Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de um de seus aliados no Congresso. O principal alvo é o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), pastor evangélico e figura de peso entre os parlamentares ligados ao segmento religioso, além de sua esposa, a advogada Valéria Rodrigues Linhares.
Os agentes federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, todos autorizados pelo ministro Flávio Dino, relator do caso no STF. A investigação apura um suposto esquema de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por meio do qual o grupo investigado teria negociado com terceiros o pagamento de valores elevados em troca de uma suposta capacidade de influenciar o resultado de processos judiciais em tramitação nos tribunais superiores.
Segundo a própria Polícia Federal, a estrutura funcionava de forma dividida: enquanto Cezinha teria ficado responsável pelo "contato pessoal e direto com ministros de tribunais superiores", Valéria Rodrigues Linhares — identificada pela investigação como sua esposa, algo que ela nega — redigia, revisava e assinava instrumentos de honorários e cessão de crédito, além de informar o andamento das negociações. Um terceiro integrante do grupo, também advogado, completaria o esquema.
O caso envolvendo Valéria já havia tido um episódio anterior: ela está foragida desde agosto, quando tentou embarcar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino a Brasília, levando R$ 510 mil em dinheiro vivo na bagagem de mão. O valor foi identificado por agentes durante a inspeção de raio-X e acabou apreendido pela Polícia Federal.
O que aumenta a temperatura política do caso é a proximidade de Cezinha de Madureira com o ministro do STF André Mendonça. De acordo com a investigação, o deputado teria intermediado um encontro entre Mendonça e o então banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, atualmente preso. A conexão não é um detalhe menor: a operação foi deflagrada apenas um dia antes de a Corte analisar um relatório da Polícia Federal que revela diálogos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, no contexto de uma sessão que é considerada histórica para o STF.
A terceira fase da Operação Transparência é, na realidade, uma continuidade de uma investigação aberta em dezembro de 2025 para apurar irregularidades na destinação de emendas parlamentares, que agora se estendeu ao terreno mais sensível de um suposto tráfico de influência dentro do próprio Poder Judiciário.
O caso ocorre em um momento de forte tensão institucional no Brasil, com o STF no centro do debate público devido à investigação sobre os vínculos de Vorcaro com diferentes ministros da Corte. A defesa de Cezinha de Madureira, consultada por veículos de imprensa locais, sugeriu que a operação poderia estar relacionada a uma "circunstância política ou eleitoral" e afirmou que os fatos "serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que não foi cometida nenhuma irregularidade".





















