Seguranças armados com armas anti-drones no STF
Seguranças armados com armas anti-drones no STF. REUTERS/Adriano Machado/g1.globo.com

O dispositivo de segurança mais comentado durante o julgamento desta terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) não foi nenhum documento judicial, mas uma arma. Os agentes responsáveis pela segurança do plenário do Senado, onde a sessão que analisa a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por seus vínculos com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro foi transmitida, carregavam um equipamento de aparência semelhante à de um rifle: o DroneGun Tactical, uma "arma" antidrones que não dispara projéteis, mas ondas de rádio.

O dispositivo, que pesa cerca de 7 quilos, possui antenas direcionais integradas e um painel de controle com áudio e sensor óptico que permite aos agentes de segurança operar o equipamento com precisão. Seu funcionamento se baseia na identificação de drones suspeitos por meio de frequências e ondas de rádio. Uma vez detectado o objeto, o equipamento emite um sinal capaz de interromper a comunicação entre o drone e seu controle original.

Dessa forma, o operador de segurança pode assumir o controle da aeronave não tripulada, desviá-la de sua trajetória e fazê-la pousar em um local seguro para posterior inspeção. Segundo especificações técnicas divulgadas anteriormente sobre o equipamento, o DroneGun Tactical é capaz de detectar drones a até 10 quilômetros de distância e neutralizá-los a uma distância de até 2 quilômetros.

Não é a primeira vez que esse tipo de tecnologia integra o aparato de segurança de eventos de alto nível no Brasil. O DroneGun Tactical já havia sido utilizado durante a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023, na COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, e também reforçou a segurança da Superintendência da Polícia Federal em Brasília após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, em novembro do ano passado.

Em todos esses casos, a função é semelhante: impedir sobrevoos não autorizados sobre áreas restritas e reduzir o risco de ameaças aéreas durante eventos considerados sensíveis.

O uso do equipamento, porém, não se limita à segurança institucional. No estado de São Paulo, o mesmo modelo foi adquirido pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) com um objetivo diferente: impedir que drones sobrevoem unidades prisionais para lançar drogas, celulares e outros objetos proibidos no interior dos presídios. A prática havia se tornado cada vez mais frequente como método de entrada de contrabando nas penitenciárias paulistas.

O reforço da segurança no Supremo ocorre em um contexto de elevada tensão institucional. O julgamento desta terça-feira, transmitido oficialmente a partir do plenário do Senado, analisa a possibilidade de abertura de uma investigação formal contra Alexandre de Moraes a partir de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens entre o ministro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do liquidado Banco Master.

Vorcaro assumiu o controle da instituição financeira em 2018 e promoveu uma expansão agressiva baseada na oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos considerados atrativos. Posteriormente, o banco foi liquidado em meio a uma investigação sobre supostas fraudes financeiras que, segundo as autoridades, poderiam ter causado prejuízos de bilhões de reais ao sistema financeiro. O ex-banqueiro é apontado pela Polícia Federal como o principal líder do esquema investigado.

Nesse cenário de máxima tensão institucional, com um julgamento considerado histórico por suas possíveis consequências para um dos ministros mais influentes da Corte, o emprego da tecnologia antidrones se soma a outras medidas extraordinárias de segurança e voltou a colocar no centro das atenções um equipamento que, sem disparar um único projétil, pode assumir o controle de um objeto voador suspeito em pleno voo.