Ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa
Ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa Divulgação/ MDIC/www.otempo.com.br

Brasil e Estados Unidos já têm data confirmada para o primeiro encontro presencial entre suas equipes negociadoras desde a retomada do diálogo sobre as sobretaxas impostas por Washington aos produtos brasileiros. A reunião será realizada entre 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, no estado de Wisconsin, paralelamente aos encontros preparatórios do G20 que ocorrerão no país.

A confirmação foi feita pelo próprio ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, que explicou à imprensa que há uma reunião do G20 programada para essas datas nos Estados Unidos e que a expectativa — tanto do lado brasileiro quanto do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) — é realizar ali um encontro presencial. Elias Rosa viajará para Milwaukee acompanhado do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores (MRE). Pelo lado americano, a interlocução ficará a cargo de Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.

Será a primeira reunião presencial entre os dois países desde a retomada do diálogo, em 31 de agosto, após uma conversa telefônica entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e seu homólogo americano, Donald Trump. Desde então, segundo Elias Rosa, as equipes técnicas dos dois governos mantêm conversas frequentes e trocam documentos com o objetivo de preparar o encontro que será realizado em território americano. Questionado sobre a existência de algum acordo prévio, o ministro foi categórico: ainda não há nada definido, e as partes continuam na etapa de troca de documentos e organização da agenda.

O pano de fundo das negociações é a sobretaxa de 25% a 37,5% que os Estados Unidos impuseram em julho sobre uma ampla variedade de produtos brasileiros, entre eles ferro, aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos e máquinas agrícolas, além de máquinas elétricas não relacionadas à aviação. A medida foi adotada após uma investigação do USTR que questionou o Brasil em temas como o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro, regras relacionadas a pagamentos digitais e plataformas, tributação, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.

O impacto econômico das sobretaxas já aparece nas estatísticas de comércio exterior. Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram o equivalente a R$ 123,6 bilhões, uma queda de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A diferença representa aproximadamente R$ 13,3 bilhões em vendas que o Brasil deixou de realizar, com setores ligados ao agronegócio entre os mais afetados.

Na prática, as sobretaxas encarecem a entrada de produtos brasileiros no mercado americano, obrigando os exportadores a reduzir suas margens de lucro para manter os clientes ou, quando isso não é possível, perder pedidos e buscar compradores em outros mercados.

Durante a permanência em Milwaukee, a comitiva brasileira — que participará oficialmente da reunião de ministros das Finanças do G20 — também pretende realizar encontros bilaterais com representantes de praticamente todos os países participantes do grupo. A prioridade, no entanto, continuará sendo avançar na flexibilização das tarifas que afetam as exportações brasileiras.

Desde a retomada das negociações, o governo brasileiro tem reiterado que permanece aberto ao diálogo com as autoridades americanas, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico entre os dois países. Ao mesmo tempo, Brasília mantém sua posição contrária às medidas unilaterais adotadas por Washington contra produtos brasileiros.