Operação Overclean: Polícia Federal deflagra nova fase para investigar fraudes
Policia Federal PF/Divulgação

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira a décima fase da Operação Overclean, no âmbito da investigação sobre supostas fraudes em contratações públicas realizadas por uma secretaria municipal de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. A nova ação cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo.

Contratos de mais de R$ 80 milhões estão sob investigação

Segundo a corporação, a investigação aponta indícios de direcionamento de procedimentos administrativos para a compra de materiais didáticos e a contratação de serviços na Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte. Pelo menos três dos contratos analisados somam, juntos, mais de R$ 80 milhões, embora a PF tenha alertado que o valor total pode ser ainda maior, já que outros processos de contratação também fazem parte da investigação.

Os fatos investigados podem configurar, em princípio, crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Os alvos da operação

A ação desta quinta-feira teve como alvo pessoas ligadas ao empresário José Marcos Moura, conhecido como o "Rei do Lixo", e ao empresário Alex Parente. O ex-secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral — que também ocupou o cargo em Salvador e já havia sido afastado em uma fase anterior da operação —, voltou a ser alvo da investigação. Segundo a apuração, Barral teria favorecido a contratação de empresas ligadas tanto ao "Rei do Lixo" quanto a Parente na capital mineira.

A PF também solicitou um mandado de busca e apreensão contra o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), suspeito de ter indicado um secretário para a Prefeitura de Belo Horizonte com o objetivo de direcionar a escolha de empresários em licitações públicas. No entanto, o pedido foi rejeitado pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter se manifestado favoravelmente à medida. Nunes Marques considerou que não havia base legal suficiente para autorizá-la.

Uma investigação com múltiplas fases

A Operação Overclean, que já está em sua décima fase, vem revelando, ao longo de 2026, um suposto esquema de direcionamento de licitações e pagamento de propinas relacionado a contratos municipais em diferentes cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte e Salvador. Em fases anteriores, a PF já havia apontado outros políticos e empresários por supostos desvios de recursos e movimentações financeiras suspeitas superiores a R$ 80 milhões associadas ao empresário conhecido como "Rei do Lixo".

A Polícia Federal não informou publicamente em quais municípios da Bahia os mandados desta quinta-feira foram cumpridos. A investigação continua em andamento, e novas fases ou a identificação de contratos adicionais sob suspeita não estão descartadas.