Polícia tenta prender Milton Leite em Sorocaba e faz buscas
Milton Leite atuou por 27 anos na Câmara Municipal de São Paulo Instagram/@miltonleite.sp

A Polícia Civil de São Paulo realizou, na manhã desta sexta-feira (18), uma nova operação para tentar prender o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), investigado no âmbito da Operação Vectura Corrupta. A ação foi realizada na casa de um assessor ligado ao político, na cidade de Sorocaba, no interior do estado de São Paulo.

Segunda busca sem sucesso

Segundo informações obtidas durante a investigação, Milton Leite teria estado no mesmo imóvel na quarta-feira (16). No entanto, assim como ocorreu na quinta-feira (17) — quando a operação foi deflagrada —, o ex-vereador não foi localizado durante a nova busca. A residência pertence a um assessor que atualmente trabalha para o filho de Milton Leite, o deputado estadual Milton Leite Filho.

Durante a operação desta sexta-feira, os agentes abordaram outra pessoa que estava no imóvel e que não soube explicar a origem de uma quantia significativa de dinheiro encontrada no local. Foram apreendidos documentos, R$ 280 mil em espécie e US$ 89 mil — o equivalente a cerca de R$ 410 mil pela cotação atual. Com isso, o total aproximado em dinheiro apreendido chega a R$ 686 mil. As autoridades deverão agora apurar a origem e o destino dos recursos.

Prazo não cumprido

Milton Leite é considerado foragido pela polícia e continua sendo procurado. Na quinta-feira, após a operação contra ele, o político paulistano divulgou um comunicado no qual afirmou que se entregaria às autoridades no prazo de 24 horas.

O prazo terminou na manhã desta sexta-feira sem que ele se apresentasse, mantendo sua condição de foragido perante a Justiça.

O que investiga a Operação Vectura Corrupta

A ofensiva, realizada em conjunto pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), investiga uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo da capital paulista.

O Ministério Público aponta Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, como "responsável direto" pelas operações de empresas que estariam sob controle da organização criminosa.

A Justiça expediu, ao todo, 16 mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão, cumpridos na capital paulista, no litoral — em Santos, Praia Grande e Cubatão — e em outros municípios do interior.

Entre os demais alvos da operação estão o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e o ex-presidente da empresa municipal de transporte SPTrans, Levi Oliveira, ambos já detidos.

Até o momento, dez pessoas foram localizadas e presas, enquanto outras seis, entre elas Milton Leite, permanecem foragidas. Segundo explicou o delegado Fabrício Intelizano em entrevista coletiva, os presos ficarão sob prisão temporária por 30 dias, período que poderá ser prorrogado por mais 30 dias enquanto as investigações avançam.