Xi Jinping impulsiona um “Grande BRICS” com novas iniciativas econômicas e tecnológicas na cúpula de Nova Délhi
Durante a cúpula em Nova Délhi, o presidente chinês defendeu maior integração entre os países do bloco e apresentou cinco propostas de cooperação tecnológica, comercial e financeira.

O presidente da China, Xi Jinping, defendeu durante a 18ª cúpula do BRICS, realizada no domingo em Nova Délhi, o aprofundamento dos laços econômicos entre os países do bloco, ao apresentar uma série de iniciativas que abrangem desde inteligência artificial até o comércio internacional. O objetivo, segundo informações divulgadas, é transformar o grupo em uma plataforma prática para o desenvolvimento do Sul Global, em um momento em que Pequim busca ampliar sua influência diante de uma ordem mundial historicamente dominada pelos Estados Unidos.
Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, Xi afirmou na sessão de encerramento do encontro que o sucesso da chamada "Iniciativa do Grande BRICS" depende da construção de uma base sólida para a cooperação pragmática entre seus membros. Nesse sentido, instou os países do bloco a aprofundar a cooperação, manter a estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento e desenvolver um mercado integrado.
O líder chinês apresentou um total de cinco iniciativas concretas de cooperação. A primeira e mais destacada prevê uma inteligência artificial aberta e acessível a todos os membros: a China liderará a criação de uma "Zona de Código Aberto de IA do BRICS", concebida para promover o treinamento conjunto em inteligência artificial, o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem e a construção de um ecossistema tecnológico aberto entre as economias emergentes do bloco. A proposta surge, segundo veículos de imprensa locais, em um contexto no qual o governo norte-americano de Donald Trump mantém restrições rigorosas à transferência de tecnologias avançadas em âmbito global.
No âmbito estritamente comercial e financeiro, Xi também propôs a criação de uma Zona Econômica Especial do BRICS e anunciou que a China sediará, no próximo ano, um Fórum de Comércio de Serviços do BRICS, com o objetivo de impulsionar os vínculos comerciais e de investimento entre os integrantes do grupo.
A cooperação em áreas que vão da política e segurança à economia e às finanças constitui o eixo central de atuação do grupo. Nesse sistema de liderança rotativa, a Índia assumirá a presidência do bloco em 2026, enquanto a China ficará à frente em 2027, duas potências que buscam uma parceria mais ampla capaz de ampliar o peso global do BRICS.
O bloco, originalmente formado há duas décadas por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, expandiu-se nos últimos anos com a entrada de Irã, Indonésia, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos. A essa ampliação somam-se dez países parceiros que abrangem economias emergentes da Ásia, África, América Latina e Oriente Médio, ampliando consideravelmente o alcance do grupo pelo Sul Global. China e Rússia costumam se referir a essa configuração ampliada como o "Grande BRICS".
Além da agenda econômica e tecnológica, os líderes do bloco também aprovaram, em 12 de setembro, uma declaração conjunta na qual expressaram profunda preocupação com a escalada dos conflitos no Oriente Médio e pediram máxima moderação às partes envolvidas, em um gesto que combina a agenda de cooperação econômica com um posicionamento político comum diante dos conflitos internacionais em curso.
Com essas propostas, Pequim reafirma sua intenção de consolidar o BRICS não apenas como um espaço de diálogo político, mas como uma plataforma dotada de instrumentos concretos — zonas econômicas, fóruns comerciais e cooperação tecnológica — capazes de transformar o peso demográfico e econômico do bloco em uma influência global mais tangível.





















