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Brasil cresce, mas em ritmo cada vez mais lento: o pano de fundo de 2026 é uma combinação de desaceleração, juros altos e déficit fiscal próximo de 8% do PIB canva/IBTimes Brasil

Por trás dos dados pontuais divulgados semana após semana pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda do Brasil, consolida-se um diagnóstico de fundo que diferentes organismos e consultorias vêm repetindo ao longo do ano: a economia brasileira cresce, mas com cada vez menos força, em um contexto de política monetária ainda restritiva e de contas públicas que continuam apresentando um profundo desequilíbrio.

O Produto Interno Bruto (PIB) é o primeiro termômetro dessa desaceleração. Depois de crescer 3,4% em 2024, a economia brasileira avançou em um ritmo mais moderado em 2025 e, segundo as projeções que circulam em 2026, espera-se uma expansão ainda menor neste ano. As estimativas variam de acordo com a fonte: o mercado financeiro, por meio do Boletim Focus do Banco Central, vem ajustando sua previsão para uma faixa próxima de 1,8% a 2%; o Fundo Monetário Internacional chegou a situar sua projeção em 1,6%, apontando como principal fator de desaceleração os efeitos de uma política monetária restritiva; e o Banco Mundial estimou crescimento de 2%, após revisar sua previsão para baixo, destacando o peso das elevadas taxas de juros reais e um cenário de comércio internacional mais hostil como os principais obstáculos para um crescimento mais robusto. O próprio Banco Central chegou a projetar, em determinado momento do ano, uma expansão de apenas 1,6% do PIB, o que representaria o ritmo mais baixo em seis anos. Os dados trimestrais confirmam essa leitura: no segundo trimestre de 2026, a economia cresceu 0,5% em relação ao trimestre anterior, abaixo dos 1,1% registrados no primeiro trimestre, com o consumo das famílias perdendo força e o agronegócio sustentando boa parte do resultado.

Nesse contexto, o Comitê de Política Monetária (Copom) mantém uma postura cautelosa. Embora o ciclo de cortes da Selic já tenha começado, o nível da taxa continua elevado em termos históricos: depois de ter chegado a 14,5% ao ano, as projeções do mercado apontam para uma taxa em torno de 13,5% a 13,75% no final do ano, muito acima dos níveis considerados neutros para uma economia como a brasileira. A persistência dos juros elevados responde, em grande medida, ao fato de que a inflação medida pelo IPCA permanece acima do centro da meta de 3% estabelecida pelo Banco Central, pressionada por fatores externos — como as tensões geopolíticas no Oriente Médio durante boa parte do ano — e por um cenário fiscal doméstico que, segundo os próprios analistas de mercado, ainda não apresenta sinais suficientes de consolidação que permitam uma flexibilização mais acelerada da política monetária.

É justamente a situação fiscal que mais preocupa os observadores. Segundo dados oficiais, o déficit nominal do setor público — que inclui tanto o resultado primário quanto o pagamento de juros da dívida — alcançou, no acumulado de 12 meses até junho de 2026, R$ 1,3 trilhão, equivalente a 9,9% do PIB, um nível que só não ultrapassou a marca de 10% graças a ganhos cambiais do Banco Central decorrentes de operações de swap. As despesas com juros, indexadas em 74,5% à Selic, representaram, por si só, 8,8% do PIB no período, o que explica por que uma taxa básica ainda elevada continua empurrando o resultado nominal para um território cada vez mais negativo. A dívida bruta do governo geral, por sua vez, chegou a R$ 10,8 trilhões, ou 81,9% do PIB, o nível mais alto desde abril de 2021, com projeções de mercado (Prisma Fiscal) que a situam em torno de 83% do PIB no final de 2026 e acima de 86% em 2027.

O resultado primário do governo central, que exclui o pagamento de juros, também vem se deteriorando: a mediana das projeções de mercado para o déficit primário de 2026 passou de R$ 58 bilhões em julho para mais de R$ 59 bilhões em agosto, segundo o Prisma Fiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Economistas consultados por veículos especializados concordam que, apesar da resiliência demonstrada pelo mercado de trabalho e pelo consumo interno, a combinação de baixo crescimento, taxas de juros elevadas e um desequilíbrio fiscal persistente configura o maior desafio de médio prazo para a economia brasileira, em um momento em que o país também atravessa um ano eleitoral.