Conflito EUA-Irã faz petróleo disparar e Petrobras valoriza; dólar recua
Conflito EUA-Irã faz petróleo disparar e Petrobras valoriza; dólar recua no Brasil https://www.cambio16.com/wp-content/uploads/2025/07/petroleo-brasil-explotacion-presal-oglobo.globo_.com-dentro.jpg

Os preços do petróleo subiram mais de US$ 4 por barril nesta terça-feira (1º/9), atingindo sua maior cotação em cinco semanas, diante do temor dos operadores de novas interrupções no fornecimento do Oriente Médio após a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã. Os contratos futuros do Brent avançaram US$ 4,16 (+4,6%), encerrando a sessão a US$ 94,65 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subiu US$ 4,46 (+5,2%), para US$ 90,22. Foi o maior fechamento do Brent desde 24 de julho e do WTI desde 23 de julho.

A escalada ocorreu depois que o Comando Central dos EUA confirmou novos ataques aéreos contra alvos da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) no Irã, em resposta — segundo as Forças Armadas americanas — a recentes tentativas do IRGC de atacar navios mercantes no Estreito de Ormuz e forças americanas posicionadas na região. Teerã respondeu com ataques contra bases dos EUA na região, na escalada mais grave do conflito entre os dois países em várias semanas. O presidente Donald Trump classificou o ataque mais recente como "justificado" e ameaçou adotar medidas mais intensas diante de qualquer retaliação.

Contexto: a disputa pelo Estreito de Ormuz

O confronto entre EUA e Irã remonta a uma guerra aberta iniciada em 2026 e que foi reativada em diversas ocasiões por disputas em torno do Estreito de Ormuz, corredor estratégico entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial e uma parcela significativa do comércio global de gás natural liquefeito. Em seu ponto mais estreito, a via navegável tem apenas cerca de 3 km de largura em cada canal, o que a torna especialmente vulnerável a bloqueios e ataques. O Irã já havia ameaçado anteriormente fechar completamente a passagem e chegou a declarar seu fechamento, advertindo que atacaria qualquer embarcação que tentasse atravessá-la.

A escalada dos dias 1º e 2 de setembro ocorreu depois que os EUA atacaram, no domingo (30/8), duas plataformas de lançamento de mísseis na ilha de Larak, localizada dentro do próprio estreito. O Irã respondeu com ataques contra bases americanas na região. Essa sequência elevou a pressão sobre o preço do barril em cerca de 7% em apenas três dias e levou o Brent a ser negociado acima de US$ 96–97 na quarta-feira (2/9), seu maior nível desde junho.

A tensão também afetou as bolsas asiáticas, mais expostas a possíveis interrupções no Estreito de Ormuz devido à forte dependência das importações de petróleo bruto do Oriente Médio. Analistas do setor alertam que um fechamento prolongado do estreito — por onde passam entre 17 milhões e 18 milhões de barris por dia — poderia levar o Brent muito acima dos US$ 100, já que as rotas alternativas de exportação são limitadas e os custos de seguro contra riscos de guerra já estão elevados.

Impacto sobre a Petrobras

A escalada geopolítica impulsionou fortemente as ações da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Na terça-feira, as ações preferenciais PETR4 subiram 4,11%, para R$ 46,87, enquanto as ordinárias PETR3 avançaram 4,14%, para R$ 52,37.

O mercado interpretou que um petróleo mais caro favorece a geração de caixa da estatal, o que também contribuiu para que o Ibovespa encerrasse a sessão em alta de 1,3%, aos 179.722,48 pontos.

Efeito sobre o dólar

Apesar da tensão internacional, o dólar perdeu força frente ao real ao longo do pregão, em linha com o enfraquecimento da moeda americana diante de outras divisas de mercados emergentes e com a própria valorização do petróleo.

Como o Brasil é um exportador líquido de petróleo, o país tende a receber um fluxo maior de dólares quando o preço da commodity sobe, o que ajudou a pressionar a cotação para baixo após a moeda ter atingido a máxima de R$ 5,2018 (+0,39%) às 9h11 da manhã.

Paralelamente, em Wall Street, o S&P 500 encerrou o pregão em queda de 0,71%, enquanto o rendimento do título do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos ficou em 4,794%, ante 4,758% no pregão anterior.

Efeito adicional no Brasil: o agronegócio

Além do impacto nos mercados acionário e cambial, a alta do petróleo gera preocupação no agronegócio brasileiro, pois eleva os custos do diesel, dos fretes e dos insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, justamente às vésperas do início do plantio da nova safra de soja 2026/27.