Renault e Geely anunciam novo aporte de € 319 milhões
Renault e Geely anunciam novo aporte de € 319 milhões no Brasil para enfrentar avanço da BYD Google

O investimento eleva para € 899 milhões o total aplicado pela joint venture das duas montadoras no país entre 2025 e 2027, em um momento em que a chinesa BYD ganha espaço no maior mercado automotivo da América Latina com seus modelos elétricos e híbridos plug-in de preço acessível.

A Renault e a chinesa Geely anunciaram nesta terça-feira, 15 de setembro, um novo investimento de € 319 milhões no Brasil por meio da joint venture Renault Geely do Brasil, reforçando a parceria industrial entre as duas montadoras no país. Com o aporte, o total investido pela aliança entre 2025 e 2027 soma € 899 milhões. A Renault detém a maior parte do capital da joint venture, enquanto a Geely fica com 26,4% de participação.

O que muda para cada uma das marcas

O acordo dá à Geely acesso a uma fábrica e a uma rede de concessionárias já existentes da Renault no Brasil, o que deve permitir à montadora chinesa acelerar sua chegada ao mercado local, a produção local do seu modelo elétrico EX2 deve começar em dezembro de 2026. Para a Renault, a parceria ajuda a ocupar mais a capacidade disponível em sua planta de montagem e a ampliar seu portfólio com modelos maiores, agora apoiados também na plataforma GEA da Geely, que servirá de base para um novo veículo eletrificado da marca francesa previsto para 2027. A Renault informou ainda que sua tecnologia híbrida E-Tech 4x4 flex-fuel entrará em produção no Brasil em 2027, dentro desse novo plano de investimentos.

"Mais do que o lançamento de novos produtos, estamos preparando nossas operações para o futuro, combinando as forças das marcas Renault e Geely", disse Ariel Montenegro, presidente e diretor-geral da Renault Geely do Brasil, em comunicado.

Por que o Brasil importa para a Renault

A parceria entre as duas montadoras havia sido formalizada no fim do ano passado, em novembro de 2025, quando a Renault anunciou a conclusão do acordo com a Geely no país. O novo aporte chega em um momento de disputa acirrada no mercado brasileiro de elétricos e híbridos, hoje pressionado pelo avanço da BYD, que vem ganhando participação com veículos totalmente elétricos e híbridos plug-in de preço mais competitivo. Segundo a Reuters, a América Latina, ao lado da Coreia do Sul e da Índia, deve desempenhar papel central na estratégia internacional da Renault, hoje ainda muito dependente de um mercado europeu de baixo crescimento e forte concorrência. A montadora também apresentou, na semana passada, uma nova picape voltada à América Latina, batizada Niagara, que será fabricada na Argentina.