Radares que medem a velocidade média começam a ser testados
medidor de velocidad / radar / resalto electrónico Cauê Adamuz/g1.globo.com

Um novo modelo de fiscalização de trânsito começa a ser testado nas rodovias federais brasileiras: os radares de velocidade média, um sistema que calcula quanto tempo um veículo leva para percorrer a distância entre dois pontos de controle, em vez de medir a velocidade em um único ponto fixo, como fazem os radares tradicionais. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou testes da tecnologia em oito estados: Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Um dos projetos-piloto mais recentes será instalado em Santa Catarina, em um trecho da BR-101, entre os quilômetros 312 e 315, na região da Ponte Anita Garibaldi, no município de Laguna. Segundo a autorização da ANTT, a experiência terá duração de 180 dias, ou pelo menos seis meses. Durante todo esse período, no entanto, nenhuma multa será aplicada aos motoristas, já que as regras do projeto estabelecem que a fase será exclusivamente técnica, educativa e experimental.

O funcionamento do sistema é diferente do utilizado pelos radares convencionais. Em vez de registrar a velocidade de um veículo no momento exato em que ele passa diante do equipamento, o radar de velocidade média utiliza duas ou mais câmeras instaladas em pontos diferentes da rodovia. Cada câmera registra a placa do veículo e o horário exato de sua passagem. Com essas informações e a distância conhecida entre os pontos de controle, o sistema calcula automaticamente a velocidade média mantida pelo veículo durante todo o trecho.

Dessa forma, o equipamento pode identificar motoristas que reduzem a velocidade apenas ao se aproximarem do radar e voltam a acelerar assim que passam pelo ponto de fiscalização. A prática, comum nas rodovias, permite escapar da fiscalização pontual utilizada pelos equipamentos tradicionais.

A estratégia de frear bruscamente próximo aos radares e acelerar logo depois não está relacionada apenas à tentativa de evitar multas. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), as colisões traseiras foram o tipo de acidente mais registrado nas rodovias federais em 2025, com 14.360 ocorrências. Parte desses acidentes está associada a mudanças repentinas de velocidade e frenagens bruscas. Ao monitorar o comportamento do motorista durante todo o trajeto, a tecnologia pretende estimular uma condução mais uniforme.

Durante a fase experimental, mesmo que o sistema identifique um veículo trafegando acima do limite permitido em termos de velocidade média, a informação não poderá ser utilizada para gerar uma infração. O objetivo é avaliar a precisão dos equipamentos, a identificação correta dos veículos e o funcionamento geral da tecnologia antes de uma eventual regulamentação.

Os trechos escolhidos para os testes também deverão contar com sinalização adequada para informar os motoristas sobre a existência do monitoramento experimental.

A tecnologia de velocidade média já é utilizada em países europeus como Itália, França, Espanha e Portugal, onde estudos apontam redução das velocidades médias e dos acidentes graves.

No Brasil, entretanto, a legislação de trânsito ainda não prevê esse modelo de fiscalização. As normas atuais do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) reconhecem equipamentos fixos e portáteis que medem a velocidade em um ponto específico. Para que os radares de velocidade média possam futuramente ser utilizados para aplicação de multas, será necessário alterar as regras e estabelecer uma regulamentação técnica específica pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Por enquanto, portanto, os equipamentos terão caráter exclusivamente experimental. A etapa de testes servirá para determinar se a tecnologia poderá, no futuro, fazer parte do sistema oficial de fiscalização das rodovias brasileiras.