JBS e Viva unem operações e criam gigante com capacidade para processar mais de 20 milhões de peles por ano
JBS Viva terá participação societária igualitária e reunirá 31 unidades industriais em seis países, mas ainda depende de aprovação regulatória.

A JBS fechou um acordo definitivo com a Viva Holding para combinar as operações de produção, processamento e comercialização de couro das duas empresas em uma nova companhia, batizada de JBS Viva. O acordo foi assinado na terça-feira (15) e, após a conclusão da operação, JBS e Viva Holding terão participações iguais de 50% na nova sociedade.
Uma plataforma global de couro
A criação da JBS Viva dá continuidade ao acordo anunciado pelas duas empresas em novembro de 2025, quando informaram que a combinação dos negócios reuniria mais de 20 milhões de peles processadas por ano, com 31 unidades industriais e mais de 11 mil colaboradores distribuídos pelo Brasil, Itália, Uruguai, Argentina, México e Vietnã.
O acordo definitivo formaliza agora essa integração e concentra em uma única estrutura as atividades que, até então, eram desenvolvidas separadamente pelas duas companhias.
A Viva surgiu há menos de dois anos a partir da fusão entre Viposa e Vancouros, também conhecida como Vanz, e registra faturamento na ordem de R$ 3,1 bilhões. No fim de 2025, o Grupo Viva já havia adquirido um curtume da Marfrig por R$ 100 milhões, movimento que antecipava sua expansão no setor.
Divisão equilibrada de poder
Pelos termos do acordo, a nova companhia terá um conselho de administração com participação igualitária dos dois grupos. A JBS indicará o presidente do conselho e o diretor financeiro (CFO), enquanto a Viva ficará responsável pela indicação do diretor-presidente (CEO) e do diretor de operações (COO).
Os termos financeiros da transação não foram divulgados. A conclusão da operação ainda depende do cumprimento das condições habituais para esse tipo de negócio e da aprovação dos órgãos reguladores competentes.
Estratégia de valorização de subprodutos
A operação faz parte da estratégia da JBS de agregar valor aos subprodutos da cadeia de proteína bovina. O líder da JBS Couros, Guilherme Motta, destacou o caráter estratégico do couro para o grupo e afirmou que o material, como coproduto natural da cadeia bovina, pode ganhar nova utilidade ao ser transformado em uma ampla variedade de produtos, como calçados, bolsas, revestimentos automotivos e móveis.
Segundo Motta, a união reforça a visão de que sustentabilidade e rentabilidade podem avançar de forma conjunta.
O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, havia classificado anteriormente a fusão como um marco estratégico. Na avaliação do executivo, a união com a Viva abre novas oportunidades para os mais de 7 mil colaboradores da JBS Couros, que passam a integrar uma operação mais robusta e preparada para competir em escala global.
Reação do mercado
Como o acordo foi divulgado após o encerramento do pregão da Bolsa na terça-feira (15), a reação dos investidores ao anúncio ainda não havia sido totalmente incorporada ao preço das ações da JBS no momento da divulgação.
Para o mercado, a operação amplia a escala internacional dos negócios de couro da companhia e adiciona uma nova estrutura à atuação do grupo no setor.
Novo grande player global
Com a criação da JBS Viva, o mercado internacional de couro passa a contar com uma nova empresa de grande escala, reunindo operações em diferentes países e capacidade para processar mais de 20 milhões de peles por ano.
A combinação das operações amplia a presença internacional das duas companhias e consolida uma das maiores plataformas globais do segmento, integrando produção, processamento e comercialização de couro em uma única estrutura.





















