Google anuncia projeto que utiliza 200 mil hectares de arroz
Google anuncia projeto que utiliza 200 mil hectares de arroz no Brasil contra as mudanças climáticas; entenda www.ecotvpanama.com

O Google fechou o maior acordo de remoção de carbono de sua história para apoiar um projeto que abrange mais de 200 mil hectares de plantações de arroz no Rio Grande do Sul, no Sul do Brasil. A iniciativa é conduzida pela empresa Terradot, da qual o Google é investidor desde 2024, e busca reduzir as emissões de metano geradas pelo cultivo do arroz e, ao mesmo tempo, retirar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.

Duas frentes de atuação

O projeto combina duas estratégias. A primeira é a redução do metano produzido em áreas de cultivo alagadas. O arroz costuma ser plantado em terrenos inundados, ambiente que favorece a atuação de microrganismos responsáveis pela produção do gás de efeito estufa.

Segundo uma avaliação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os arrozais respondem por entre 10% e 12% das emissões globais de metano. A expectativa é que a redução obtida pelo projeto gere créditos equivalentes a 1 milhão de toneladas métricas de metano evitadas até 2030.

A segunda estratégia utiliza rochas para remover CO₂ da atmosfera por meio de uma técnica conhecida como intemperismo acelerado de rochas. Alguns tipos de rocha reagem naturalmente com o dióxido de carbono presente no ar, mas o processo ocorre de forma lenta. A tecnologia busca acelerar essa reação para aumentar a quantidade de carbono removida.

A Terradot estima que essa etapa gere créditos equivalentes à remoção de mais 1 milhão de toneladas de carbono até 2040. Os dois tipos de créditos — relacionados à redução do metano e à remoção de CO₂ — serão contabilizados e verificados separadamente.

Maior projeto do tipo até agora

Segundo Randy Spock, diretor de remoção de carbono do Google, esta é a primeira iniciativa anunciada publicamente nessa escala a combinar a redução de poluentes de vida curta, como o metano, com a remoção duradoura de carbono dentro de um mesmo sistema agrícola.

A etapa de remoção de carbono do acordo é dez vezes maior do que projetos anteriores de intemperismo acelerado de rochas, tornando a iniciativa a maior já realizada com essa tecnologia.

Potencial de expansão

Google e Terradot afirmam que o modelo pode ser ampliado para os cerca de 1,5 milhão de hectares destinados ao cultivo de arroz no Brasil. A tecnologia também poderia ser replicada em outros grandes produtores mundiais, como Índia e Vietnã.

A Terradot planeja iniciar projetos-piloto em outros países ainda em 2026 e prevê uma expansão comercial a partir de 2028.

Por que o Google está investindo

A iniciativa ocorre em meio à crescente pressão sobre grandes empresas de tecnologia para reduzir ou compensar as emissões associadas à expansão dos centros de dados utilizados para sustentar o avanço da inteligência artificial.

Para o Google, atuar simultaneamente sobre o metano e o CO₂ permite enfrentar diferentes dimensões do aquecimento global. O metano tem um forte efeito de aquecimento no curto prazo, enquanto o dióxido de carbono pode permanecer na atmosfera por séculos.

Custo ainda é um desafio

O custo continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar tecnologias de remoção de carbono. Google e Terradot não divulgaram o valor do novo acordo.

Em um contrato firmado pela Terradot em 2024 para remover 90 mil toneladas de carbono, o custo ficou em aproximadamente US$ 300 por tonelada — valor bem acima dos US$ 100 por tonelada que muitos desenvolvedores consideram necessários para estimular uma demanda maior.

Segundo James Kanoff, CEO da Terradot, o novo projeto terá um custo inferior ao de acordos anteriores, mas ainda não atingirá a meta de US$ 100 por tonelada.