Caixa e bancários retomam negociações nesta quarta-feira, mas greve continua sem previsão de término
Paralisação iniciada em 10 de setembro segue nesta quarta-feira, enquanto sindicatos e banco discutem o custeio do plano de saúde e outras reivindicações.

A Caixa Econômica Federal e representantes dos bancários retomam nesta quarta-feira (16) as negociações para tentar chegar a um acordo que encerre a greve nacional da categoria, iniciada em 10 de setembro. Apesar da reabertura da mesa de negociação, a paralisação continua nesta quarta-feira.
As entidades sindicais mantêm as regionais abertas desde as 7h para receber os empregados, prestar orientações, disponibilizar materiais e oferecer apoio jurídico durante o movimento.
Plano de saúde é o principal ponto de divergência
O principal impasse entre os trabalhadores e a Caixa está relacionado ao Saúde Caixa. Uma nova proposta apresentada pelo banco na semana passada foi rejeitada pela maioria dos empregados em assembleia encerrada às 23h da última sexta-feira (11).
A Caixa chegou a considerar recorrer à Justiça por meio de um dissídio coletivo, mas desistiu da medida e decidiu reabrir as negociações.
Em nota, o banco afirmou que considera o diálogo o melhor caminho para construir um acordo e encontrar uma solução que leve em conta os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade.
54 reuniões e quatro propostas
De acordo com a Caixa, foram realizadas até o momento 54 reuniões de negociação coletiva. Nesse período, o banco apresentou quatro propostas diferentes, incorporando avanços e reivindicações discutidos com os representantes dos empregados.
Mesmo com as mudanças, o modelo de custeio do Saúde Caixa continua sendo um dos principais pontos de discordância. Os sindicatos defendem uma participação maior da instituição no financiamento do plano e a manutenção das condições previstas no acordo coletivo.
Proposta apresentada pela Caixa
Entre os pontos da proposta rejeitada pelos trabalhadores estão o pagamento de um prêmio de reconhecimento de R$ 3 mil por empregado, a antecipação do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para esta sexta-feira (18) e o aumento do teto de custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8%.
Pelo modelo proposto, os empregados pagariam uma contribuição sobre o salário-base, entre 2,30% e 4,10%, conforme a faixa etária. Também haveria uma cobrança por dependente, com valores entre R$ 480 e R$ 660, de acordo com a idade.
Outro ponto apresentado pela Caixa foi a antecipação de sua parcela da 13ª mensalidade do Saúde Caixa referente aos anos de 2028, 2029 e 2030, como forma de contribuir para o equilíbrio financeiro do plano.
Os bancários, entretanto, reivindicam o fim da 13ª mensalidade, que também é cobrada dos empregados.
A proposta inclui ainda a liberação de recursos do Programa de Assistência Médico-Supletiva (PAMS) a partir de 2027 e R$ 236 milhões destinados a ações de prevenção e promoção da saúde a partir de janeiro do mesmo ano.
Negociações com outros bancos
A situação da Caixa ocorre após os bancários de instituições privadas fecharem sua convenção coletiva em 9 de setembro. O acordo prevê reajuste salarial acima da inflação para cerca de 500 mil trabalhadores, além da aplicação do percentual sobre benefícios como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche.
Os funcionários do Banco do Brasil também aprovaram a proposta de reajuste, segundo representantes sindicais. A principal diferença em relação à Caixa é que o plano de saúde não esteve entre os principais pontos de negociação nos demais acordos.
Com a greve entrando em sua segunda semana e ainda sem previsão de encerramento, o resultado da rodada de negociações desta quarta-feira será determinante para os próximos passos do movimento.





















