Antes de visita de Xi, EUA e China discutem IA
Antes de visita de Xi, EUA e China discutem IA, terras raras e comércio em Nova York IBTimes Brasil

Encontro no prédio do JPMorgan Chase, em Manhattan, antecede em poucos dias a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca, marcada para 24 de setembro, em que temas como trégua tarifária, Taiwan, a guerra no Irã e a corrida pela inteligência artificial devem dominar a pauta.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, se reúne neste domingo com o vice-premiê chinês He Lifeng na sede do JPMorgan Chase, em Nova York, para tratar de segurança em inteligência artificial, comércio e outras questões econômicas, segundo uma pessoa a par do planejamento do encontro ouvida pela Reuters. A reunião, marcada para as 10h30 (horário local) de domingo, ocorre poucos dias antes de o presidente americano, Donald Trump, receber o presidente chinês, Xi Jinping, na Casa Branca, em 24 de setembro, a primeira visita de Xi à Casa Branca em uma década.

O JPMorgan não participa da reunião, mas cedeu suas instalações em Manhattan como local do encontro em razão do esquema de segurança reforçado na cidade, que recebe a partir da próxima semana a Assembleia Geral da ONU. Bessent já havia convidado o presidente-executivo do banco, Jamie Dimon, a participar de uma reunião de ministros de Finanças do G20 organizada pelo Tesouro americano em Asheville, na Carolina do Norte, no início de setembro. Dimon está entre os empresários convidados para um jantar de Estado em homenagem a Xi na Casa Branca, mas não integrou a comitiva de executivos que acompanhou Trump em sua viagem a Pequim em maio.

O encontro entre Bessent e He faz parte de uma rodada de conversas de bastidores que antecede a cúpula entre os dois presidentes. Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, cujo gabinete também participa das tratativas, as discussões deste fim de semana em Nova York podem se estender até segunda-feira em nível técnico, com agenda aberta para permitir um debate amplo. Bessent afirmou que espera que as conversas sobre IA abranjam tanto modelos de "peso aberto" quanto de "peso fechado", a diferença está em se os componentes centrais do sistema podem ou não ser baixados e ajustados publicamente por terceiros. Modelos chineses de peso aberto têm ganhado espaço entre empresas americanas por serem mais baratos que alternativas de peso fechado desenvolvidas por companhias como Anthropic e OpenAI, uso que inclui, segundo reportagem da Reuters, até mesmo um site do governo americano, apesar de o FBI ter acusado a desenvolvedora chinesa Alibaba de cópia "maliciosa" de tecnologia da Anthropic.

Bessent tem defendido que Estados Unidos e China cheguem a um entendimento sobre salvaguardas para impedir que modelos avançados de IA cheguem a atores não estatais mal-intencionados, e disse à Reuters que os EUA seguem na liderança da tecnologia, mas estão abertos a discutir riscos compartilhados e a evitar uma divisão total entre os dois ecossistemas de IA. Em depoimento ao Congresso nesta semana, ele afirmou que cabe às próprias empresas americanas de IA decidir se desaceleram o desenvolvimento de seus sistemas, defendendo que sejam responsabilizadas pelo que constroem e geram como medida de segurança.

Além da inteligência artificial, a reunião de domingo deve tratar da possível prorrogação de uma trégua tarifária entre as duas maiores economias do mundo, que expira em 10 de novembro, e do fornecimento de ímãs de terras raras e minerais críticos produzidos pela China, insumos essenciais para a manufatura de tecnologia que Pequim havia restringido severamente no ano passado, em meio à escalada tarifária bilateral. Sob a trégua vigente, a China se comprometeu a normalizar o fluxo desses materiais, mas um funcionário americano graduado disse à Reuters na sexta-feira que o desempenho chinês nesse ponto "não tem sido satisfatório" e deve ser cobrado antes da cúpula. Washington também pressiona Pequim a agir com mais firmeza para conter o envio de precursores químicos usados na fabricação de fentanil.

A cúpula de 24 de setembro será o segundo encontro do ano entre Trump e Xi, após a visita do presidente americano a Pequim em maio. Analistas ouvidos pela Reuters, como Wendy Cutler, diretora de política da Asia Society em Washington, avaliam que as expectativas para acordos de grande porte são baixas dado o curto tempo de preparação, e que o encontro deve funcionar mais como um exercício de administração da relação bilateral e de verificação do cumprimento dos compromissos já assumidos na trégua comercial.

Segundo reportagem da Reuters sobre os temas previstos para a cúpula, a pauta entre Trump e Xi deve incluir ainda outros pontos sensíveis: a possibilidade de grandes compras chinesas de aeronaves da Boeing e de produtos agrícolas americanos, como parte dos esforços de Trump por vitórias comerciais antes das eleições legislativas de novembro; a questão de Taiwan, ilha autogovernada reivindicada por Pequim, sobre a qual aliados dos EUA na Ásia temem que Washington suavize seu apoio em troca de ganhos econômicos; e a guerra no Irã, iniciada por Trump e Israel em fevereiro, na qual a China é a maior compradora de petróleo iraniano e que Washington vê como uma área em que Pequim teria influência para pressionar Teerã, algo que, segundo a Reuters, o governo chinês tem se mostrado pouco disposto a fazer.