Doença intestinal
Doenças inflamatórias intestinais passaram de 30 para 158 casos por 100 mil BSIP/UIG Via Getty Images

O número de brasileiros diagnosticados com doenças inflamatórias intestinais aumentou de forma significativa entre 2012 e 2025, segundo um estudo apresentado nesta sexta-feira (25) no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, em Balneário Camboriú (SC). A pesquisa, baseada em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), identificou crescimento da prevalência de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes no período, equivalente a uma alta de 427%.

Os pesquisadores identificaram 337.539 pacientes com doenças inflamatórias intestinais atendidos pelo SUS durante os anos analisados. Desse total, aproximadamente 207 mil correspondiam a casos de retocolite ulcerativa e 99 mil a diagnósticos de doença de Crohn. Cerca de 30 mil pacientes foram classificados como casos de colite indeterminada, quando não foi possível estabelecer qual das duas doenças estava presente.

Crohn E Retocolite Ulcerativa

As duas principais condições analisadas são doenças crônicas provocadas por uma resposta desregulada do sistema imunológico, que causa inflamação persistente no trato digestivo. A retocolite ulcerativa afeta o reto e o intestino grosso, enquanto a doença de Crohn pode atingir diferentes partes do aparelho digestivo.

Entre os sintomas mais frequentes estão diarreia persistente, inclusive com presença de sangue, dores abdominais, urgência para evacuar, perda de peso e cansaço. As doenças podem alternar períodos de crise e remissão e, em alguns casos, provocar complicações que exigem procedimentos cirúrgicos.

O coloproctologista Abel Quaresma, integrante da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, o crescimento observado pode estar relacionado tanto a um aumento real dos casos quanto à melhora na identificação das doenças. Segundo ele, o maior conhecimento sobre essas condições entre profissionais e pacientes pode ter contribuído para novos diagnósticos.

Estudo Ainda Passará Por Revisão

A pesquisa utilizou informações do DataSUS e, por isso, considera apenas pacientes atendidos pela rede pública. Segundo Quaresma, os números representam uma parcela significativa da população brasileira, mas podem não refletir toda a prevalência nacional porque não incluem pessoas atendidas exclusivamente pela saúde suplementar.

Os pesquisadores também apontam que as causas das doenças inflamatórias intestinais não são completamente conhecidas. Fatores genéticos, ambientais, nutricionais e imunológicos podem estar envolvidos, mas as associações identificadas não permitem estabelecer uma causa específica para o crescimento registrado.

O estudo mais recente ainda não havia sido publicado em uma revista científica no momento da apresentação. O trabalho foi submetido a uma publicação internacional e os resultados apresentados no congresso ainda passarão por revisão por pares.