Armas apreendidas e Jorge Canella
Armas apreendidas e Jorge Canella Divulgação/brasil247.com

A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante, na manhã desta terça-feira (22/9), o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União Brasil), após agentes encontrarem dois fuzis e uma submetralhadora em condições consideradas irregulares. A prisão ocorreu durante a sétima fase da Operação Unha e Carne, com buscas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Como ocorreu a operação

A PF cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar: um imóvel na Barra da Tijuca, outro no Recreio dos Bandeirantes e o gabinete de Canella na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Não havia mandado de prisão expedido contra o vereador — a detenção em flagrante ocorreu depois que os agentes localizaram as armas de uso restrito durante a diligência na Barra da Tijuca. Segundo nota oficial do Legislativo carioca, nenhum bem ou documento foi apreendido no gabinete do parlamentar. Canella e o armamento recolhido foram conduzidos à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, onde o vereador deve responder pelo crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Ligação com investigação anterior

Jorge Canella, coronel da reserva da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PM-RJ), já era alvo de apuração relacionada a um fuzil encontrado no carro do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, também do União Brasil, preso em flagrante em julho deste ano pelo mesmo tipo de crime. Os dois têm ligação política. Segundo apuração do G1, o vereador teria obtido a guarda do armamento por meio de sua condição de policial militar da reserva.

A defesa do parlamentar

A defesa de Jorge Canella afirma que os certificados de registro das armas estavam válidos e atribui a controvérsia a uma divergência na atualização do endereço de registro do armamento junto aos órgãos competentes.

O contexto da Operação Unha e Carne

A nova fase integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal para investigar e desarticular a infiltração do crime organizado na política do estado do Rio de Janeiro. Segundo a corporação, os trabalhos seguem as diretrizes estabelecidas pelo STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635. A Operação Unha e Carne já teve repercussão política anterior no estado: em dezembro do ano passado, uma de suas fases levou à prisão do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, suspeito de vazar informações sigilosas sobre outra operação policial — prisão revogada dias depois pelo plenário da Alerj.

Próximos passos

Após a apreensão, os dois fuzis e a submetralhadora foram encaminhados para perícia. O caso segue sob investigação da Polícia Federal, que deve avaliar eventuais desdobramentos relacionados à cadeia de custódia das armas e à ligação do episódio com as demais fases da Operação Unha e Carne.