Casa Da Cultura De Pernambuco Ganha Proteção Federal
Instalado no antigo prédio da Casa de Detenção do Recife, o espaço passa a ter proteção federal por sua importância histórica e arquitetônica.
A Casa da Cultura de Pernambuco, instalada no antigo prédio da Casa de Detenção do Recife, recebeu nesta quarta-feira (23) o tombamento definitivo pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A decisão foi tomada durante a 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada em Brasília.
Com o reconhecimento federal, o imóvel será inscrito nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes. A medida reconhece a importância da construção para a história penal brasileira e para a arquitetura do século XIX. O edifício já possuía proteção em âmbito estadual, mas agora passa a contar também com o reconhecimento como Patrimônio Cultural Brasileiro.
De Prisão A Espaço Cultural
Construído no século XIX para funcionar como Casa de Detenção do Recife, o prédio permaneceu ligado ao sistema prisional entre 1855 e 1973. O projeto foi desenvolvido pelo engenheiro Mamede Ferreira e adotou uma configuração conhecida como "panóptico radiante", na qual as áreas de circulação e as celas eram organizadas ao redor de um espaço central, permitindo a vigilância dos ambientes.
Para o Iphan, essa característica arquitetônica é um dos elementos que tornam o imóvel especialmente relevante. A antiga prisão é considerada um exemplar representativo da arquitetura penitenciária do século XIX no Brasil e também está relacionada ao chamado classicismo imperial. Sua estrutura radial é apontada pelo instituto como uma das poucas remanescentes desse tipo de construção no país e na América do Sul.
Um Lugar De Memória
O reconhecimento federal também considera a dimensão histórica do edifício. Segundo o Iphan, a antiga Casa de Detenção testemunha diferentes formas de punição, controle social e encarceramento utilizadas pelo Estado brasileiro nos séculos XIX e XX.
O espaço também esteve relacionado a acontecimentos políticos e sociais de diferentes períodos da história nacional. A instituição menciona, entre outros episódios, o cangaço, os movimentos anarquista e comunista, a Revolução de 1930, o Estado Novo e a ditadura civil-militar iniciada em 1964.
Patrimônio E Cultura No Recife
Depois de deixar de funcionar como prisão, o edifício passou a abrigar a Casa da Cultura de Pernambuco. A transformação deu ao espaço uma nova função, ligada à cultura e ao artesanato, enquanto sua estrutura arquitetônica continuou preservando marcas do passado.
O Diário de Pernambuco destacou que a Casa da Cultura e a Estação Central do Recife receberam o tombamento federal na mesma reunião do Iphan. O jornal também registrou que o reconhecimento amplia a proteção oficial de dois imóveis importantes para a memória da capital pernambucana.
Com o tombamento definitivo, a Casa da Cultura passa a reunir em seu próprio espaço diferentes camadas da história brasileira: a antiga função penitenciária, a memória social associada ao edifício e seu atual papel como equipamento cultural do Recife.






















