Altas temperaturas no Brasil
Um relógio mostra a temperatura de 43 graus Celsius em meio a uma onda de calor no bairro de Guaratiba, Rio de Janeiro, Brasil TERCIO TEIXEIRA/AFP via Getty Images

A primavera de 2026 começou no Brasil na noite de terça-feira, 22 de setembro, sob forte influência do El Niño. As previsões indicam temperaturas acima da média em grande parte do país e uma distribuição desigual das chuvas, com maior volume no Sul e no Sudeste e condições mais secas em áreas do Norte e Nordeste. O cenário foi destacado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)

Segundo o Inmet, o fenômeno tem mais de 90% de probabilidade de atingir a categoria de muito forte durante o trimestre de setembro a novembro. Projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (CPC/NOAA) também apontam 75% de possibilidade de que o episódio seja o mais intenso desde 1950.

Chuvas Devem Variar Entre As Regiões

A atuação do El Niño não deverá produzir o mesmo efeito em todo o território brasileiro. Conforme a previsão do Inmet, o Centro-Sul tende a registrar precipitações acima da média, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem enfrentar chuvas abaixo do normal. O Centro-Oeste também aparece entre as regiões que podem sofrer períodos de menor precipitação e temperaturas elevadas.

No Sudeste e no Sul, o excesso de umidade pode favorecer temporais e episódios de chuva intensa. Em São Paulo, a primavera deverá combinar ondas de calor com períodos de precipitação acima da média, especialmente no Sul e Sudeste.

Já no Norte e no Nordeste, a redução das chuvas pode prolongar períodos de estiagem. A combinação entre calor e menor disponibilidade de água também pode elevar o risco de incêndios em algumas áreas. O Cemaden aponta que temperaturas acima da média podem favorecer ondas de calor e ocorrências de incêndios florestais.

Agricultura E Energia Entram No Radar

As condições climáticas também podem repercutir sobre a produção agrícola. O Cemaden avalia que diferentes culturas podem apresentar efeitos distintos conforme a região e o estágio do ciclo produtivo. Pastagens e o planejamento de novas safras, por exemplo, podem ser prejudicados pelo aumento das temperaturas e pela irregularidade das chuvas.

Os efeitos também podem alcançar o abastecimento de água e a geração de energia. Uma análise publicada pelo ES Hoje em 23 de setembro aponta riscos relacionados à disponibilidade hídrica, aos preços dos alimentos e à produção energética, além da possibilidade de impactos sobre incêndios, alagamentos e deslizamentos.

Assim, a primavera brasileira começa com um cenário climático marcado por contrastes regionais. O comportamento do El Niño nos próximos meses será acompanhado de perto por órgãos meteorológicos e instituições responsáveis pelo monitoramento de recursos hídricos, agricultura e riscos de desastres.