EUA e 14 países latino-americanos anunciam ação conjunta
EUA e 14 países latino-americanos anunciam ação conjunta contra PCC e Comando Vermelho; Brasil fica fora IBTimes Brasil

Declaração assinada em Nova York inclui 24 organizações classificadas pelo grupo como ameaças ligadas ao narcotráfico e prevê medidas como bloqueio de ativos, restrições de vistos e responsabilização por apoio material

Estados Unidos e 14 países da América Latina e do Caribe anunciaram, em Nova York, uma ação conjunta contra 24 organizações criminosas que o grupo considera ameaças transnacionais ligadas ao narcotráfico. Entre elas estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das principais facções criminosas brasileiras. O Brasil não integra a coalizão e, portanto, não participou da declaração assinada em 22 de setembro, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.

A iniciativa faz parte do chamado Escudo das Américas, coalizão lançada pelo governo de Donald Trump com foco declarado no combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e ao chamado narcoterrorismo. A declaração estabelece que os países participantes poderão adotar, de acordo com suas próprias legislações e compromissos internacionais, medidas contra as organizações incluídas na lista.

Entre as medidas previstas estão o congelamento de bens, restrições de imigração e de vistos e a responsabilização de pessoas que forneçam conscientemente apoio material ou logístico aos grupos. O alcance efetivo dessas medidas, porém, dependerá da legislação de cada país signatário.

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Além dos Estados Unidos, participaram Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. A lista corresponde aos 14 países latino-americanos e caribenhos que aderiram à iniciativa apresentada em Nova York.

O encontro ocorreu em 22 de setembro, durante a semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU. O presidente Donald Trump participou do evento do Escudo das Américas realizado na mesma data, segundo registro oficial da Casa Branca.

O Brasil não participou da reunião que produziu a declaração. Segundo o UOL, nem o Palácio do Planalto nem o Itamaraty tinham conhecimento prévio de que PCC e CV seriam incluídos na lista apresentada pelos demais países.

A inclusão das duas facções em uma iniciativa multilateral amplia o número de países que se comprometem politicamente a adotar medidas contra integrantes, associados e estruturas financeiras relacionadas às organizações.

O efeito mais imediato tende a ocorrer fora do território brasileiro. Restrições migratórias, bloqueios de ativos e medidas contra pessoas ou empresas que ofereçam apoio aos grupos podem ser aplicados pelas autoridades dos países participantes dentro de seus respectivos sistemas jurídicos.

Isso não significa, porém, que a declaração altere automaticamente a legislação brasileira. O Brasil não aderiu ao Escudo das Américas, e a classificação adotada pela coalizão não transforma, por si só, PCC e CV em organizações terroristas perante a legislação brasileira.

A diferença jurídica é relevante. A declaração representa uma posição conjunta dos países participantes e estabelece compromissos de cooperação e medidas dentro de suas próprias competências. Sua aplicação no Brasil dependeria de decisões e instrumentos previstos no ordenamento jurídico brasileiro.

A exclusão do Brasil ocorre em um contexto de divergências entre Brasília e Washington sobre a forma de enfrentar o crime organizado e sobre a classificação das facções brasileiras.

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a soberania brasileira e afirmou que o combate ao crime organizado deve envolver cooperação internacional.

Dias antes do anúncio do Escudo das Américas, Trump havia criticado publicamente o Brasil pelo combate ao PCC e ao Comando Vermelho. Em documento encaminhado ao Congresso americano, o presidente dos Estados Unidos afirmou que o governo brasileiro não havia conseguido enfrentar adequadamente as duas organizações, classificadas pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras. O governo brasileiro contestou as críticas.

A iniciativa, portanto, coloca o PCC e o CV no centro de uma estratégia regional liderada pelos Estados Unidos, enquanto o governo brasileiro mantém sua própria abordagem jurídica e institucional para o enfrentamento das facções.

O Escudo das Américas não se limita à declaração sobre PCC e CV. O documento contempla 24 organizações e prevê uma coordenação mais ampla entre os participantes para enfrentar estruturas criminosas transnacionais. Entre os objetivos anunciados também estão o compartilhamento de informações e a cooperação em segurança.

Para as facções brasileiras, a principal consequência potencial é a ampliação da cooperação entre países onde existam integrantes, recursos financeiros, empresas ou outras estruturas associadas às organizações. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que o impacto concreto dependerá, sobretudo, da capacidade de coordenação entre os países e da cooperação com as autoridades brasileiras.

A declaração não estabelece, contudo, uma operação militar conjunta contra o PCC ou o Comando Vermelho. O que foi anunciado são medidas de sanção, cooperação e responsabilização a serem implementadas segundo as regras de cada país.