Risco de rompimento de barragem obriga suspensão de aulas e evacuação de 170 moradores no Rio Grande do Sul
Cerca de 170 pessoas foram transferidas preventivamente após fortes chuvas provocarem danos na estrutura da barragem Arroio São Luiz.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu na tarde de quarta-feira (23) um alerta para o risco de rompimento da barragem Arroio São Luiz, localizada no município de São Marcos, na Serra Gaúcha, depois que equipes técnicas detectaram fissuras e infiltrações de água na estrutura. Cerca de 170 moradores foram evacuados preventivamente e transferidos para hotéis custeados pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), enquanto as aulas foram suspensas na Escola Municipal Antônio Pessini.
Segundo a Corsan, equipes de engenharia identificaram trincas com infiltrações nos blocos de contraforte e no vertedouro da barragem, depois que o município registrou mais de 170 milímetros de chuva em apenas 24 horas, volume que superou a média histórica de todo o mês de setembro na região. O coordenador regional da Defesa Civil, Marcelo Almeida de Souza, afirmou que havia risco real de colapso da estrutura e uma ameaça direta à vida das pessoas que vivem nas áreas mais baixas da barragem.
Um alerta por meio do sistema Cell Broadcast foi enviado aos telefones celulares da população às 15h53 de quarta-feira, orientando os moradores a se prepararem para uma eventual evacuação. Ao todo, cerca de 60 edificações localizadas na área de risco foram desocupadas. As autoridades municipais também bloquearam o tráfego em uma estrada vicinal próxima à estrutura.
Para reduzir a pressão sobre a parede de concreto, a Corsan abriu as comportas de descarga de fundo com o objetivo de esvaziar parte do reservatório, que tem capacidade aproximada de 420 mil metros cúbicos de água, e instalou bombas hidráulicas adicionais para reforçar a drenagem. A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado (Sema) informou que mantém inspeções técnicas contínuas no local e que o Plano de Ação de Emergência (PAE) foi acionado preventivamente, conforme os protocolos de segurança previstos para esse tipo de situação.
Na Prefeitura de São Marcos, foi instalado um gabinete de crise para coordenar a retirada das famílias e as ações de segurança em um raio de 10 quilômetros ao redor da barragem. O Gabinete Local de Incidentes mantém reuniões permanentes de monitoramento com autoridades municipais, técnicos e equipes da Defesa Civil, enquanto engenheiros contratados realizam perícias detalhadas no concreto e nas fundações da estrutura para determinar a gravidade das fraturas e planejar os reparos definitivos.
O episódio ocorre em uma semana de fortes chuvas em todo o estado. Segundo a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, entre os dias 18 e 24 de setembro foram registradas 174 ocorrências em 168 municípios gaúchos, com danos humanos ou materiais em 156 cidades afetadas por vendavais, chuvas intensas, elevações de rios, granizo, inundações, alagamentos e deslizamentos. Até a manhã desta quinta-feira, cerca de 11,5 mil imóveis permaneciam sem abastecimento de água, enquanto outros 177,8 mil continuavam sob risco de desabastecimento em razão dos impactos do temporal.
As autoridades reiteraram que a prioridade absoluta é preservar a vida dos moradores e garantir a segurança das pessoas que vivem nas áreas potencialmente afetadas em caso de eventual rompimento da barragem.





















