eVTOL no Brasil
El e-VTOL fabricado por Eve Air Mobility Nelson ALMEIDA / AFP via Getty Images

Um novo modal de transporte em construção

Antes que os primeiros táxis aéreos elétricos decolem no Brasil, uma série de peças regulatórias e estruturais ainda precisa se encaixar. Foi esse o pano de fundo do encontro promovido pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) nesta segunda-feira (21), que juntou reguladores da aviação civil e a fabricante Eve Air Mobility, braço do grupo Embraer dedicado aos chamados eVTOLs — aeronaves elétricas capazes de decolar e pousar na vertical, dispensando pistas convencionais.

Promessa de deslocamento em minutos

Como exemplo prático do potencial da tecnologia, a Eve apresentou um cálculo que ilustra bem a mudança que se pretende trazer às grandes cidades: o percurso entre a Zona Sul paulistana e o Aeroporto de Guarulhos, hoje sujeito a até duas horas de trânsito, cairia para cerca de 12 minutos de voo. Embora popularmente associados à imagem de "carros voadores", esses veículos são, tecnicamente, aeronaves e seguem a lógica regulatória da aviação, não a do trânsito rodoviário.

Quem está na mesa de negociação

Participaram da reunião a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), num esforço para mapear o que falta amadurecer antes do início comercial das operações. Segundo as estimativas compartilhadas por Anac e Eve, esse marco pode chegar em 2028, quando se espera concluído o processo de certificação da aeronave — etapa que comprova, perante as autoridades, que o equipamento é seguro para voar.

A certificação é só o começo

Aprovar a aeronave, porém, resolve apenas parte do problema. O grupo debateu igualmente a construção dos vertiportos — pontos de pouso, decolagem e apoio às operações —, além de questões como o abastecimento elétrico dessas estruturas, protocolos contra incêndio, os recursos necessários para erguer a infraestrutura inicial e a forma como esse novo tráfego se encaixará no controle do espaço aéreo já existente. Ficou claro também que o sucesso do projeto depende de um ecossistema amplo: fabricantes, reguladores, aeroportos, companhias aéreas, empresas de software e futuros operadores privados de aeronaves e vertiportos precisarão atuar de forma coordenada.

Baixo ruído como diferencial urbano

Do ponto de vista técnico, a Eve descreve seu modelo como uma aeronave de propulsão totalmente elétrica, sem emissões locais durante a operação e com ruído de cruzeiro abaixo de 60 decibéis — um nível pensado justamente para não incomodar quem vive perto das rotas urbanas. A companhia projeta que, globalmente, a frota de eVTOLs em atividade possa ultrapassar 30 mil unidades até 2045, ainda que essa cifra dependa de fatores como avanço regulatório, maturidade tecnológica e disponibilidade de infraestrutura.

Debate se estende a outras pastas

Na parte da tarde, a discussão ganhou outros interlocutores dentro do governo federal: representantes dos ministérios do Turismo, de Minas e Energia e da Ciência, Tecnologia e Inovação, somados à Anatel e à ANTT, ouviram apresentações sobre o tema. A operadora Revo abordou aspectos ligados à conectividade das futuras rotas, enquanto a Hitachi Energy tratou da infraestrutura elétrica e das soluções de recarga. Com a coordenação do MPor, o objetivo é que o arcabouço regulatório e a infraestrutura estejam prontos no ritmo em que a tecnologia for avançando e obtendo certificação.