Mineradora australiana ligada a bilionária trumpista avança sobre terras raras na Bahia
Empreendimento Monte Alto, da australiana Brazilian Rare Earths, depende de licenciamento ambiental e negociações com moradores do Vale do Jiquiriçá.

Uma mineradora australiana financiada por uma das principais apoiadoras empresariais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende transformar uma região do Vale do Jiquiriçá, na Bahia, em um dos maiores polos de exploração de terras raras do Brasil. O projeto, batizado de Monte Alto, alcança áreas ambientalmente protegidas, envolve minerais radioativos e enfrenta resistência de famílias que relatam pressão para vender suas propriedades.
Quem está por trás do projeto
A iniciativa é liderada pela empresa australiana Brazilian Rare Earths (BRE), representada no Brasil pela subsidiária Borborema Recursos Minerais, que já classificou o achado como a descoberta de terras raras mais significativa do mundo. A dimensão internacional do empreendimento passa pela bilionária australiana Gina Rinehart, dona da Hancock Prospecting e uma das figuras empresariais associadas politicamente a Trump — ela participou das comemorações da vitória eleitoral do republicano em 2024 e é conhecida por defender pautas próximas à agenda MAGA. Por meio da Hancock, Rinehart é acionista da BRE, com participação estimada em cerca de 5% do capital da empresa, considerada a maior investidora em elementos de terras raras fora da China. Procurada pelo site The Intercept Brasil, a Hancock Prospecting afirmou apenas ser "uma pequena acionista" da BRE e que questões sobre o andamento do projeto devem ser direcionadas à mineradora.
Urânio como coproduto
Além das terras raras, o projeto prevê a exploração de urânio, nióbio, escândio e tântalo como coprodutos da mineralização identificada em Monte Alto. As Indústrias Nucleares do Brasil (INB) confirmaram a assinatura de um protocolo de intenções com a BRE para avaliar em conjunto o potencial de aproveitamento do urânio extraído nos projetos da empresa. A produção projetada inclui óxido de NdPr, concentrado de terras raras pesadas e yellowcake de urânio, com equipamentos previstos para chegar à unidade ainda neste ano e comissionamento estimado para o segundo trimestre de 2027.
Resistência da comunidade
Para que o plano avance, a subsidiária Borborema precisa se tornar dona das terras de Monte Alto — no caminho, está uma comunidade tradicional que teme o risco de contaminação radioativa e relata desconhecer detalhes sobre os planos de exploração de urânio na região. Moradores denunciam pressão para venda de propriedades e reuniões promovidas pela prefeitura local sobre os impactos da mineração na área.
Escala do investimento
Segundo estudos técnicos da BRE, o projeto tem potencial de gerar cerca de US$ 7,9 bilhões em valor, com investimento inicial estimado em R$ 600 milhões apenas na primeira fase, até a etapa do concentrado, podendo chegar a R$ 3,6 bilhões para a implantação completa do polo de produção. A companhia já assinou memorando de entendimentos com o governo da Bahia para viabilizar o empreendimento.
Próximos passos
O avanço do projeto depende ainda de licenciamento ambiental para as áreas protegidas e da negociação fundiária com as famílias da região, enquanto a companhia segue captando recursos internacionais para expandir a exploração.





















