Lula mobiliza suas bases a três semanas das eleições no
Lula mobiliza suas bases a três semanas das eleições no Brasil, em meio ao escândalo do Banco Master REUTERS/Tita Barros

O presidente do Brasil e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, liderou no domingo uma jornada de mobilização nacional que levou milhares de apoiadores às ruas de Brasília, Rio de Janeiro e outras cidades do país. A convocação, promovida pelo Partido dos Trabalhadores (PT), teve como objetivo revitalizar o apoio popular ao presidente a apenas três semanas do primeiro turno de uma eleição que se desenha como uma das mais disputadas desde a redemocratização.

Um dos principais atos ocorreu na emblemática praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde centenas de militantes vestidos com as camisetas vermelhas do PT marcharam ao som de uma bateria de escola de samba, carregando faixas e cartazes de apoio ao presidente. Em Brasília, a mobilização seguiu formato semelhante, enquanto manifestações do mesmo tipo foram realizadas em 26 dos 27 estados brasileiros.

A mobilização ocorreu em um contexto de crescente pressão sobre a campanha de Lula. A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira, 11 de setembro, apontou o presidente com 39% das intenções de voto no primeiro turno, quatro pontos à frente dos 35% de seu principal adversário, o senador de ultradireita Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso. A diferença está dentro da margem de erro da pesquisa e, em um eventual segundo turno, os dois candidatos aparecem tecnicamente empatados, com 46% para Lula e 44% para Bolsonaro.

O pano de fundo da campanha é o escândalo envolvendo o Banco Master, descrito pelas autoridades como o maior caso de fraude bancária da história do Brasil. Seu ex-proprietário, Daniel Vorcaro, está em prisão preventiva desde 4 de março por seu suposto envolvimento no esquema. Seus vínculos com magistrados, políticos e dirigentes do Banco Central deram origem a uma crise político-judicial que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu expor por meio da sucessiva retirada do sigilo dos autos do caso.

Entre os citados nas investigações está o próprio Flávio Bolsonaro, que é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As suspeitas estão relacionadas a pagamentos milionários que Vorcaro teria destinado, após várias reuniões com o senador, à produção de uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O próprio Flávio admitiu, em maio, ter solicitado os aportes, mas afirma que todo o processo foi "totalmente legal". Durante as manifestações de domingo, alguns participantes exibiram cartazes com os rostos de Vorcaro e de Flávio Bolsonaro, acompanhados de palavras de ordem contra a direita.

Lula tem explorado o escândalo em seus discursos de campanha, acusando a família Bolsonaro de estar por trás do esquema de corrupção e prometendo aprofundar as investigações judiciais em andamento.

Com o primeiro turno previsto para 4 de outubro e um eventual segundo turno para 25 de outubro, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro se apresenta como uma das mais acirradas da história eleitoral recente do Brasil.