Na ONU, Lula defende soberania e diz que Brasil “não cabe no quintal de ninguém”
Na abertura da Assembleia Geral, presidente também criticou a atuação da ONU em guerras e defendeu cooperação internacional sem presença militar estrangeira no Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (22/9) o debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, com um discurso marcado pela defesa da soberania nacional e por críticas à ingerência externa em processos eleitorais. Seguindo a tradição adotada desde 1955, o Brasil foi novamente o primeiro país a falar, com os Estados Unidos discursando na sequência.
"Brasil não cabe no quintal de ninguém"
Sem citar Donald Trump nominalmente, Lula afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, reconhecendo em outro trecho que a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, mas defendendo que o país precisa de parceiros com agenda positiva voltada ao desenvolvimento. O petista criticou o que chamou de recrudescimento de "tentações hegemônicas" na América Latina e no Caribe e rejeitou interferências estrangeiras em eleições.
Democracia e soberania
Segundo Lula, o mundo atual obriga a escolhas entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação. O presidente afirmou que a democracia voltou a estar em xeque, com o retorno da interferência externa em processos eleitorais, e classificou a divisão do mundo em zonas de influência como um gesto anacrônico. A fala ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições no Brasil, cenário que, segundo analistas, deu peso adicional ao tema da soberania no discurso.
Segurança e fronteiras
Ao tratar do combate ao crime organizado, o presidente delimitou até onde considera aceitável a cooperação internacional, rejeitando soluções baseadas em presença militar estrangeira em território brasileiro. Ele afirmou que o país não pretende terceirizar a responsabilidade por suas fronteiras nem pela segurança da população, defendendo em vez disso a cooperação para bloquear o fluxo internacional de armas.
Crítica à ONU e à guerra
Lula também fez um balanço duro do papel atual da ONU, avaliando que a organização está falhando em sua missão de livrar a humanidade do flagelo da guerra e que sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Para o presidente, a guerra representa a falência total da política, e liderar num mundo interdependente significa conciliar o interesse do país com o da humanidade.
Venezuela, Nicarágua e Cuba
O petista dedicou parte do discurso à conjuntura regional, afirmando que o povo venezuelano merece definir seu próprio destino e que a Nicarágua não resolverá seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições. Ele classificou ainda o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba como uma medida ilegal.
Repercussão
O discurso, o décimo que Lula profere na abertura da Assembleia Geral, foi lido por analistas como um recado direto a Washington em meio a tensões comerciais e diplomáticas entre os dois países. O presidente encerrou a fala reafirmando o compromisso do Brasil com a soberania nacional.





















