El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva
El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, interviene durante la 81ª sesión de la Asamblea General de las Naciones Unidas en la sede de la ONU, el martes 22 de septiembre de 2026. AP/Yuki Iwamura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (22/9) o debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, com um discurso marcado pela defesa da soberania nacional e por críticas à ingerência externa em processos eleitorais. Seguindo a tradição adotada desde 1955, o Brasil foi novamente o primeiro país a falar, com os Estados Unidos discursando na sequência.

"Brasil não cabe no quintal de ninguém"

Sem citar Donald Trump nominalmente, Lula afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, reconhecendo em outro trecho que a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, mas defendendo que o país precisa de parceiros com agenda positiva voltada ao desenvolvimento. O petista criticou o que chamou de recrudescimento de "tentações hegemônicas" na América Latina e no Caribe e rejeitou interferências estrangeiras em eleições.

Democracia e soberania

Segundo Lula, o mundo atual obriga a escolhas entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação. O presidente afirmou que a democracia voltou a estar em xeque, com o retorno da interferência externa em processos eleitorais, e classificou a divisão do mundo em zonas de influência como um gesto anacrônico. A fala ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições no Brasil, cenário que, segundo analistas, deu peso adicional ao tema da soberania no discurso.

Segurança e fronteiras

Ao tratar do combate ao crime organizado, o presidente delimitou até onde considera aceitável a cooperação internacional, rejeitando soluções baseadas em presença militar estrangeira em território brasileiro. Ele afirmou que o país não pretende terceirizar a responsabilidade por suas fronteiras nem pela segurança da população, defendendo em vez disso a cooperação para bloquear o fluxo internacional de armas.

Crítica à ONU e à guerra

Lula também fez um balanço duro do papel atual da ONU, avaliando que a organização está falhando em sua missão de livrar a humanidade do flagelo da guerra e que sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Para o presidente, a guerra representa a falência total da política, e liderar num mundo interdependente significa conciliar o interesse do país com o da humanidade.

Venezuela, Nicarágua e Cuba

O petista dedicou parte do discurso à conjuntura regional, afirmando que o povo venezuelano merece definir seu próprio destino e que a Nicarágua não resolverá seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições. Ele classificou ainda o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba como uma medida ilegal.

Repercussão

O discurso, o décimo que Lula profere na abertura da Assembleia Geral, foi lido por analistas como um recado direto a Washington em meio a tensões comerciais e diplomáticas entre os dois países. O presidente encerrou a fala reafirmando o compromisso do Brasil com a soberania nacional.