Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, abril de
Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, abril de 2023 REUTERS/Ueslei Marcelino

Nova York. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu nesta segunda-feira (21) uma entrevista à CNN International, durante sua visita a Nova York para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Na conversa, o presidente voltou a criticar seu homólogo americano, Donald Trump, a quem acusou de "agir como um imperador" na condução da disputa comercial entre os dois países. Lula também afirmou que o governo brasileiro avalia acionar mecanismos de reciprocidade caso as negociações sobre tarifas não avancem no curto prazo.

A declaração não é inédita no discurso de Lula. O presidente brasileiro já havia usado expressão semelhante meses atrás, ao comentar a imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida chegou, na ocasião, a atingir 50% para determinados setores e provocou uma das maiores crises diplomáticas entre os dois países nas últimas décadas. Em julho, o Brasil havia acionado formalmente mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e Comercial, instrumento jurídico que permite ao país adotar medidas equivalentes em resposta a barreiras comerciais consideradas injustificadas.

Questionado sobre o atual estágio das negociações, Lula afirmou que prefere esgotar a via diplomática antes de recorrer a uma escalada das tensões, mas deixou aberta a possibilidade de uma resposta mais firme caso Washington não apresente avanços concretos nos próximos meses. Segundo a entrevista, o presidente reiterou que o Brasil "não é pouca coisa" e que pretende defender seus interesses comerciais diante do que considera um tratamento desigual por parte do governo americano.

A entrevista também abordou a situação na Venezuela, país que, segundo o texto, atravessa um processo de transição política desde o início deste ano, após uma operação militar americana que teria resultado na captura do então presidente Nicolás Maduro e na instalação de um governo de transição. Lula classificou como "grave" a atuação dos Estados Unidos no país vizinho e destacou a importância de a Venezuela avançar para um processo eleitoral livre e acompanhado internacionalmente. A posição está alinhada ao discurso que o presidente brasileiro vem adotando nos últimos meses em defesa de uma solução negociada e do respeito às instituições democráticas venezuelanas.

A entrevista ocorreu horas antes de Lula participar de uma série de reuniões bilaterais em Nova York, entre elas encontros com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, e com o senador Bernie Sanders, na véspera de seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, previsto para esta terça-feira (22). Uma reunião bilateral formal com Trump ainda não foi confirmada, embora não esteja descartada a possibilidade de um breve encontro informal entre os dois líderes nos corredores da Assembleia, como ocorreu na edição anterior do evento internacional.

As declarações de Lula ocorrem na reta final da campanha eleitoral brasileira, a menos de duas semanas das eleições presidenciais de 4 de outubro, nas quais o presidente busca a reeleição contra o candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro.