Ibovespa cai e dólar sobe no Brasil enquanto mercado aguarda
Ibovespa cai e dólar sobe no Brasil enquanto mercado aguarda novas pesquisas presidenciais da AtlasIntel e do PoderData mercadohoje.uai.com.br

O mercado financeiro brasileiro encerrou a última sessão em tom claramente negativo. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), recuou 0,93% e fechou aos 185.629 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 0,46%, cotado a R$ 5,12. O resultado confirma a tendência de baixa que vem marcando o mercado brasileiro desde o início da semana, em um contexto no qual a política interna e as tensões geopolíticas internacionais se combinam para aumentar a cautela entre os investidores.

Petróleo e tensão geopolítica por trás da queda

Parte da pressão sobre os ativos brasileiros vem do exterior. O barril do petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 100 em meio a uma nova escalada dos conflitos no Oriente Médio, reforçando a aversão ao risco nos mercados globais e pressionando os principais índices acionários, incluindo o brasileiro.

Embora as empresas petrolíferas geralmente se beneficiem da alta do petróleo, o efeito conjunto sobre a inflação global e as taxas de juros acabou pesando mais sobre o humor dos investidores.

Segundo a análise técnica divulgada pela equipe de renda variável da Safra Invest, o Ibovespa mantém tendência neutra no médio prazo e de alta no curto prazo. A primeira resistência está em 191.500 pontos e a segunda, em 198.500 pontos. No cenário de baixa, o primeiro suporte está na região dos 178.000 pontos, seguido pela faixa de 164.300 pontos. O dólar futuro, por sua vez, apresentou tendência de baixa no médio prazo, mas neutra no curto prazo.

Atenção voltada para a política: novas pesquisas presidenciais

Além dos fatores externos, o cenário político doméstico ganhou destaque nesta quinta-feira com a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2026.

O instituto AtlasIntel apresentou uma nova pesquisa que atualiza a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário nas pesquisas.

O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01452/2026, entrevistou 5 mil eleitores entre os dias 4 e 9 de setembro, com margem de erro de apenas 1 ponto percentual.

Além do principal confronto, a pesquisa testou cenários de segundo turno com outros pré-candidatos, como Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. O levantamento também mediu a rejeição dos eleitores a cada nome, bem como a percepção sobre temas centrais da campanha — economia, inflação, saúde, educação, segurança, corrupção, emprego e equilíbrio fiscal — e sobre a crise do Banco Master.

Paralelamente, o instituto PoderData, ligado ao portal Poder360, também acrescentou novas informações ao cenário eleitoral. Em sua pesquisa mais recente, realizada no início de setembro, Lula liderava com 37% das intenções de voto no primeiro turno, seguido de perto por Flávio Bolsonaro, com 34%.

O resultado configura um empate técnico, considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais da pesquisa. Em um eventual segundo turno, o próprio PoderData havia registrado Flávio Bolsonaro ligeiramente à frente, com 45% contra 44% de Lula, também dentro da margem de erro.

Por que isso importa para o mercado

Os investidores acompanham de perto cada nova pesquisa porque o resultado eleitoral de 2026 se tornou um dos principais fatores a influenciar os preços dos ativos brasileiros, segundo análises de especialistas do mercado.

Um cenário de maior equilíbrio entre Lula e Flávio Bolsonaro tende a aumentar a volatilidade do Ibovespa e do câmbio, enquanto sinais de vantagem consolidada de um dos candidatos costumam resultar em movimentos mais definidos no mercado.

Com o primeiro turno a menos de um mês, a expectativa é de que a sequência de pesquisas — realizadas por AtlasIntel, PoderData, Datafolha, Quaest e outros institutos — continue sendo um dos principais termômetros para investidores brasileiros e estrangeiros nas próximas semanas.