Brasil combate desinformação: YouTube notificado para retirar vídeos de IA com promessas de curas falsas
Ministério da Saúde e AGU agem contra perfis que promovem curas milagrosas sem respaldo científico.

O governo brasileiro intensificou sua ofensiva contra a desinformação na área da saúde depois que um levantamento do programa "Saúde com Ciência", do Ministério da Saúde, identificou dezenas de perfis nas redes sociais que oferecem curas milagrosas e produtos sem qualquer respaldo científico. A partir desse diagnóstico, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou formalmente o YouTube para que remova ou, pelo menos, alerte os usuários sobre uma série de vídeos que utilizam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais da saúde, com o objetivo de disseminar informações falsas, incluindo promessas de curas e tratamentos sem comprovação científica.
A medida foi baseada em uma análise realizada pelo próprio Ministério da Saúde sobre 97 perfis desse tipo, identificados entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026. Segundo as autoridades, esses conteúdos utilizam avatares com aparência humana apresentados como médicos ou especialistas, aos quais são atribuídos títulos e qualificações profissionais fictícios. Além disso, recorrem a uma linguagem alarmista para conferir maior credibilidade às informações falsas divulgadas. Uma parcela significativa desses perfis é direcionada especificamente à população idosa e, em vários casos, utiliza a suposta autoridade desses personagens gerados por IA para promover produtos, livros eletrônicos ou serviços pagos.
O próprio Ministério da Saúde alertou para os riscos concretos desse tipo de conteúdo: automedicação, uso de terapias sem eficácia comprovada, atraso na busca por atendimento médico profissional e, nos casos mais graves, interrupção ou substituição de tratamentos médicos já em andamento. A notificação ao YouTube foi elaborada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD) e faz parte de uma força-tarefa interministerial que atua de forma coordenada com a AGU e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. As informações coletadas também foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina para que sejam avaliadas eventuais responsabilidades.
O programa "Saúde com Ciência" funciona como uma unidade de monitoramento permanente: o Ministério acompanha continuamente as redes sociais, realiza verificações das informações que circulam e encaminha as denúncias aos órgãos competentes de acordo com a natureza e a gravidade de cada caso identificado.
Essa não é a única ação recente do governo nessa área. A AGU já havia adotado uma medida semelhante contra o Telegram depois que o Ministério da Saúde identificou 18 grupos e canais que comercializavam ilegalmente comprovantes e passaportes de vacinação falsificados. Na ocasião, o aplicativo removeu os grupos e canais denunciados e excluiu a conta de um usuário identificado durante a investigação; as provas do caso também foram encaminhadas à Polícia Federal. Um relatório do Ministério apontou que a comercialização desses documentos falsos compromete a integridade da política nacional de imunização e dos sistemas públicos de informação em saúde, além de que a circulação de pessoas não vacinadas com certificados fraudulentos prejudica as estratégias de vigilância, contenção e controle de doenças preveníveis por vacinação.
Paralelamente a essa ofensiva contra a desinformação, o Ministério da Saúde reforçou uma mensagem central à população: a vacinação, a realização de testes e o tratamento de diversas doenças continuam disponíveis gratuitamente na rede pública de saúde, de acordo com o tipo de doença e o esquema correspondente. Com isso, o governo busca combater o impacto dos conteúdos falsos que circulam nas redes sociais, destacando que não é necessário recorrer a produtos ou "curas milagrosas" sem respaldo científico, uma vez que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente ferramentas de prevenção e tratamentos cientificamente validados.





















