Dario Durigan
Dario Durigan Washington Costa/MF

O ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24) que há fortes indícios de que a empresa Entre Investimentos, ligada ao financiamento do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu recursos provenientes do crime organizado e do Banco Master. A declaração ocorreu após a terceira fase da Operação Carbono Oculto, também chamada de Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Receita Federal.

Segundo Durigan, a Entre Investimentos, do Grupo Entre, funcionava como uma central de liquidez que misturava capitais de diferentes origens dentro de um mesmo fundo. O ministro explicou que a administradora recebia dinheiro tanto do Banco Master quanto de organizações criminosas, e que esses recursos eram utilizados para ocultar patrimônio, lavar dinheiro e corromper.

O proprietário da Entre Investimentos, Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro", é um dos principais alvos desta nova fase da operação. Segundo o MP-SP, Mineiro prestava serviços de lavagem de dinheiro para um esquema criminoso no setor de combustíveis, também investigado no âmbito da Carbono Oculto. O empresário é ligado a Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, e firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações sobre a instituição financeira.

De acordo com o relato apresentado na delação, Vorcaro teria ordenado a transferência de mais de R$ 60 milhões — o equivalente a mais de US$ 12 milhões — para um fundo que financiou a produção de "Dark Horse", após receber pedidos e pressões do então candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Durigan classificou a empresa como uma peça-chave da "lavanderia" do sistema financeiro nacional utilizada pelas distribuidoras de combustíveis investigadas.

A nova fase da operação incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A Receita Federal informou que a movimentação financeira identificada nesta terceira fase chega a R$ 11 bilhões. As autoridades afirmam que a estrutura financeira era utilizada para movimentar valores por meio de contas bancárias, fundos de investimento, contas gráficas e fintechs, criando camadas sucessivas para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Segundo os investigadores, a primeira estrutura identificada teria sido montada para ocultar os verdadeiros proprietários de uma usina de açúcar e álcool no interior de São Paulo. Durigan esclareceu, no entanto, que ainda cabe às autoridades esclarecer com precisão a origem específica dos recursos destinados ao filme sobre Bolsonaro.

A Operação Carbono Oculto investiga uma rede de blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro que, somadas suas diferentes fases, já movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões em operações suspeitas. O caso avança paralelamente a outras investigações sobre o Banco Master e seus possíveis vínculos com o crime organizado no sistema financeiro brasileiro.