O "Super Centro Brasil" de diagnóstico oncológico reduz de 30
O "Super Centro Brasil" de diagnóstico oncológico reduz de 30 para 8 dias o prazo de entrega de laudos Rafael Nascimento/MS/ncnews.com.br

O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira que o Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer, iniciativa criada para acelerar a identificação de tumores dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), já realizou 56,5 mil procedimentos ao longo de 2026. O programa, que combina tecnologia de ponta com patologia digital, está atualmente presente em 25 unidades da Federação — ou seja, na grande maioria dos estados brasileiros — e conseguiu reduzir o tempo médio nacional para a liberação de laudos de mais de 30 dias para apenas oito dias.

Como funciona o Super Centro

O sistema funciona de duas maneiras complementares. De um lado, amostras de pacientes de diferentes regiões do país podem ser encaminhadas para processamento e análise em um centro nacional de referência no A.C. Camargo Cancer Center, instituição paulista que atua como parceira do Ministério da Saúde no projeto.

Por outro lado, os Super Centros regionais contam com infraestrutura própria para processar biópsias e peças cirúrgicas, além de digitalizar as lâminas obtidas. Graças à patologia digital, essas imagens podem ser analisadas remotamente por médicos patologistas, inclusive profissionais localizados em outras cidades, facilitando o acesso a especialistas em regiões do país com menor disponibilidade desses profissionais.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o impacto concreto da iniciativa ao citar o caso de Manaus, no Amazonas, onde "um laudo que antes podia levar mais de 30 dias hoje sai, em média, em menos de dez dias". Segundo o ministro, "é esse ganho de tempo que queremos transformar em cuidado para a população", em referência ao fato de que cada dia economizado no diagnóstico pode contribuir para o início mais rápido do tratamento oncológico.

Por que o tempo é decisivo na oncologia

A redução do prazo para a liberação dos laudos não é um dado menor do ponto de vista médico. O próprio Padilha já havia destacado anteriormente, ao apresentar avanços semelhantes do programa, que o objetivo do Ministério é "garantir que o diagnóstico ocorra em até 30 dias e que o início do tratamento aconteça, no máximo, nos 30 dias seguintes", ressaltando que "no câncer, tempo é vida".

Dados anteriores do próprio Ministério da Saúde, divulgados em maio deste ano, já apontavam uma redução de 80% no tempo de espera por laudos de biópsias no SUS. O que antes levava mais de 25 dias passou a ser resolvido em cerca de cinco dias em algumas regiões, embora a média nacional atual, de acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira, esteja em oito dias.

Capacidade e alcance do programa

O Super Centro para Diagnóstico de Câncer tem capacidade para realizar até mil laudos por dia e cerca de 400 mil por ano, com apoio técnico do Instituto Nacional de Câncer (Inca), além da parceria estratégica com o A.C. Camargo Cancer Center.

A iniciativa faz parte de um pacote mais amplo de medidas do governo federal na área oncológica, que inclui também o programa "Agora Tem Especialistas", voltado à ampliação do acesso da população à assistência médica especializada por meio de parcerias com hospitais privados, que passam a oferecer serviços de alta complexidade a pacientes do SUS.

O mesmo programa inclui as chamadas "Carretas da Saúde", unidades móveis que já levaram atendimento a mais de 1.700 municípios brasileiros, oferecendo exames e consultas em regiões com acesso limitado a serviços médicos especializados. Somente na área de saúde da mulher, as carretas realizaram mais de 166 mil procedimentos.

Aumento contínuo da demanda oncológica

O avanço do Super Centro ocorre em um momento em que o SUS registra um crescimento histórico na assistência oncológica.

Segundo dados do Ministério da Saúde, os procedimentos desse tipo passaram de 155.355 em 2022 para 189.949 em 2025, um aumento de 22%. Já o total de atendimentos relacionados à oncologia subiu de 3,9 milhões para 4,7 milhões no mesmo período, uma alta de 20%.

Esse crescimento da demanda reforça, segundo o governo, a necessidade de agilizar os processos de diagnóstico para que o sistema público de saúde consiga manter tempos de resposta adequados diante de um número crescente de pacientes.