Inflação
Arquivo/Agência Brasil

A prévia da inflação oficial brasileira desacelerou em outubro e registrou alta de 0,32%, menos da metade dos 0,70% observados em setembro. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava avanço de aproximadamente 0,43%.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi influenciado principalmente pela redução das tarifas de energia elétrica residencial e pela queda dos preços das passagens aéreas. Apesar da desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses avançou para 4,62%, ultrapassando o limite superior de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito apresentaram aumento de preços. O destaque foi Alimentação e bebidas, que registrou alta de 0,88% e teve o maior impacto individual sobre o índice. Os alimentos consumidos dentro de casa subiram 1,01%, revertendo a desaceleração observada no mês anterior.

Entre os produtos que mais encareceram estão o tomate, com aumento de 24,54%, a cebola, com 13,63%, a batata-inglesa, com 10,96%, e o arroz, com 5,80%. Em contrapartida, a cenoura ficou 10,67% mais barata, enquanto os preços das frutas recuaram 1,37% e os do café moído diminuíram 1,16%.

A alimentação fora de casa também apresentou aumento, refletindo a elevação dos custos das refeições e dos lanches. Esses movimentos indicam que, embora o índice geral tenha perdido força, os consumidores ainda enfrentam pressões importantes sobre as despesas cotidianas.

No grupo Habitação, os preços recuaram 0,10%, principalmente devido à redução de 0,89% nas tarifas de energia elétrica residencial. A mudança da bandeira tarifária amarela para a verde em outubro eliminou a cobrança adicional aplicada ao consumo de eletricidade, contribuindo para aliviar as contas de luz.

Em setembro, a energia elétrica havia registrado alta de 7,42%, influenciada pelo fim do desconto associado ao bônus de Itaipu. A reversão parcial desse movimento ajudou a explicar a desaceleração do índice no mês seguinte.

O grupo Transportes apresentou aumento de apenas 0,05%, apesar da elevação de 1,20% nos combustíveis. O óleo diesel subiu 3,70%, o etanol avançou 2,73% e a gasolina ficou 0,92% mais cara. Em sentido contrário, as passagens aéreas tiveram queda de 9,24%, exercendo a principal contribuição individual para conter a inflação de outubro.

Entre os demais grupos, Despesas pessoais avançou 0,55%, Vestuário subiu 0,53% e Comunicação registrou alta de 0,43%. Artigos de residência aumentou 0,28%, Saúde e cuidados pessoais teve elevação de 0,15%, enquanto Educação avançou 0,09%.

O IPCA-15 considera a variação dos preços coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro em 11 áreas urbanas brasileiras. O indicador utiliza metodologia semelhante à do IPCA, mas antecipa a divulgação dos resultados do mês.

A desaceleração mensal representa um alívio parcial, mas o avanço da inflação acumulada demonstra que o controle dos preços continua sendo um desafio para a economia brasileira. O resultado definitivo do IPCA de outubro está previsto para ser divulgado pelo IBGE em 12 de novembro.