Indicadores
Reuters/Paulo Whitaker

O aumento da cautela dos investidores diante do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras colocou o chamado "índice do medo" da Bolsa em evidência. O indicador S&P/B3 Ibovespa VIX registrou sucessivos recordes no início de outubro e voltou a chamar a atenção do mercado nesta semana, com a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se aproximando da votação de domingo, 25 de outubro de 2026.

O indicador havia atingido 32,77 pontos em 2 de outubro, a maior marca desde sua criação, em março de 2024. Na ocasião, o resultado refletia a expectativa de oscilações mais intensas no mercado acionário durante os 30 dias seguintes, período que incluía o primeiro turno eleitoral. Agora, a proximidade da decisão presidencial mantém os investidores atentos aos possíveis impactos políticos e econômicos sobre os ativos brasileiros.

Conhecido popularmente como "índice do medo", o VIX Brasil mede a volatilidade implícita esperada para o Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira. Seu cálculo utiliza os preços das opções negociadas no mercado, contratos financeiros que permitem aos investidores se posicionar diante de possíveis movimentos futuros dos preços.

Na prática, quanto maior a pontuação do indicador, maior é a expectativa de oscilações expressivas. Isso não significa necessariamente que a Bolsa cairá: a volatilidade pode resultar tanto de movimentos de baixa quanto de alta. O índice funciona, portanto, como um termômetro da incerteza e da percepção de risco dos participantes do mercado.

A disputa eleitoral é um dos fatores que contribuem para esse cenário. A definição do próximo governo pode influenciar as expectativas sobre política fiscal, controle das despesas públicas, tributação, investimentos e condução da economia. Como essas decisões afetam as perspectivas de empresas e investidores, a proximidade da votação tende a ampliar a sensibilidade dos mercados às pesquisas eleitorais e às declarações dos candidatos.

Além da política doméstica, o ambiente internacional também interfere nas decisões financeiras. As tensões no Oriente Médio, as oscilações dos preços do petróleo e as perspectivas para os juros nas principais economias mundiais aumentam a incerteza sobre inflação, custos empresariais e fluxo de capitais para países emergentes.

Quando a percepção de risco cresce, investidores podem aumentar a procura por instrumentos de proteção, como opções de venda, ou reduzir a exposição a ativos considerados mais vulneráveis. Essas operações podem elevar o custo de proteção das carteiras e contribuir para movimentos mais intensos nos preços das ações.

O comportamento do VIX Brasil também precisa ser interpretado em conjunto com outros indicadores, como o Ibovespa, o dólar e os juros futuros. Uma pontuação elevada não permite prever, isoladamente, a direção dos mercados nem antecipar o resultado das eleições.

Com a votação marcada para domingo, investidores acompanham as pesquisas de intenção de voto, os sinais sobre a política econômica dos candidatos e os acontecimentos internacionais. A tendência de curto prazo dependerá da combinação desses fatores e de como o resultado eleitoral será incorporado às expectativas do mercado.

O recorde do indicador evidencia, sobretudo, a incerteza presente no período eleitoral. Para investidores e empresas, o desafio é avaliar os riscos sem confundir a expectativa de maior volatilidade com uma previsão definitiva de queda da Bolsa.