Newcastle afeta exportações de aves: México suspende compras, e China e Chile impõem restrições
México suspendeu compras de todo o Brasil, enquanto China e Chile limitaram as medidas a produtos originários de Santa Catarina.

Ministério da Agricultura confirmou foco em criação comercial de perus em Nova Itaberaba; restrições variam por país e não significam bloqueio generalizado de todas as exportações avícolas brasileiras.
A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma unidade comercial de criação de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, levou três mercados estrangeiros a impor restrições temporárias a produtos avícolas brasileiros. Em atualização divulgada nesta terça-feira (20), o Ministério da Agricultura e Pecuária informou que o México suspendeu importações provenientes de todo o Brasil, enquanto China e Chile limitaram as restrições a produtos originários de Santa Catarina.
O foco foi confirmado em 18 de outubro, após investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina e análise do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo. O estabelecimento foi interditado, e as autoridades sanitárias iniciaram medidas de contenção e erradicação. O caso envolve uma criação comercial de perus, e a resposta oficial inclui monitoramento de propriedades próximas e comunicação com parceiros comerciais.
A diferença entre as restrições adotadas pelos países é importante para avaliar o impacto sobre o setor. O México suspendeu importações de aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e outros grupos específicos de aves provenientes de todo o território brasileiro. A China restringiu a entrada de carne de aves originária de Santa Catarina. O Chile, por sua vez, aplicou restrições a uma lista de produtos avícolas procedentes do estado, incluindo aves vivas, carne fresca, ovos e determinados produtos cárneos.
Segundo o Ministério da Agricultura, a negociação com as autoridades chinesas permitiu limitar a restrição a Santa Catarina, evitando uma suspensão nacional das compras chinesas. O governo brasileiro mantém tratativas com os mercados importadores para fornecer informações técnicas sobre o foco, as medidas de controle e as condições para a retomada do comércio. A evolução das restrições dependerá das exigências sanitárias de cada parceiro e da avaliação da situação epidemiológica.
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves e pode provocar prejuízos importantes à produção avícola. A detecção de um foco pode levar países importadores a suspender temporariamente produtos de uma região ou de todo o país, conforme os protocolos sanitários acordados. O alcance das medidas comerciais, portanto, não é necessariamente igual para todos os mercados.

O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que o consumo de carne de aves inspecionada não representa risco à saúde humana em razão desse foco. Essa orientação deve ser entendida no contexto do controle sanitário oficial e das medidas adotadas pelas autoridades. A confirmação de um foco em uma propriedade não equivale a uma declaração de que toda a produção brasileira esteja comprometida.
Para o setor exportador, o impacto dependerá da duração das restrições, do volume de produtos afetados e da possibilidade de redirecionar embarques para mercados que mantenham as compras. Santa Catarina tem participação relevante na cadeia avícola brasileira, de modo que as limitações regionais podem afetar produtores e frigoríficos, mesmo sem bloqueio nacional por parte de todos os parceiros.
A situação também exige comunicação transparente com importadores, produtores e consumidores. Informações oficiais atualizadas são fundamentais para evitar que uma ocorrência localizada seja interpretada como uma suspensão geral das exportações ou como risco indiscriminado a todos os produtos avícolas.
O Ministério da Agricultura informou que continuará acompanhando os mercados e divulgará novas atualizações quando houver mudanças confirmadas. Até lá, a descrição mais precisa é que existem restrições de escopo diferente em três países, e não um embargo uniforme de toda a produção brasileira.

