Dia Mundial da Alimentação
A agricultura familiar e as cozinhas solidárias fortalecem o combate à fome no Brasil IA Canva

A agricultura familiar e as cozinhas solidárias têm desempenhado um papel importante no combate à fome no Brasil. No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, iniciativas comunitárias destacaram a colaboração entre pequenos produtores rurais, voluntários e políticas públicas para ampliar o acesso a alimentos saudáveis e atender famílias em situação de vulnerabilidade.

Em Brasília, a Cozinha Solidária Cantinho da Vovó, coordenada por Maria do Cerrado, fornece refeições a mais de 800 pessoas. O espaço também distribui 200 cestas básicas a famílias vulneráveis cadastradas. Para manter o atendimento, a equipe recebe produtos da agricultura familiar, incluindo frutas, verduras, hortaliças e outros alimentos.

A iniciativa mostra como a articulação entre produtores e organizações comunitárias pode contribuir para levar alimentos a pessoas que enfrentam dificuldades de acesso à alimentação adequada.

Programa Público Conecta Produtores E Comunidades

A ligação entre agricultores familiares e cozinhas solidárias ocorre, entre outras formas, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A política pública compra produtos da agricultura familiar e os destina a iniciativas de atendimento social, incluindo cozinhas solidárias.

Um dos exemplos é o trabalho de Hosana Alves do Nascimento, produtora que mantém um sistema agroflorestal em São Sebastião, no Distrito Federal. Em uma área urbana, ela cultiva hortaliças, raízes e plantas frutíferas que podem integrar o abastecimento de iniciativas de distribuição de alimentos.

A secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Lilian Rahal, destacou que a cooperação entre agricultores e cozinhas permite distribuir alimentos saudáveis em regiões onde a presença institucional do Estado é limitada. Essa articulação também contribui para diversificar a alimentação oferecida às pessoas atendidas.

Cozinhas Solidárias Ampliam O Atendimento

As cozinhas solidárias ganharam força a partir de iniciativas da sociedade civil organizadas durante a pandemia de Covid-19, quando comunidades criaram redes para fornecer alimentos a pessoas necessitadas. Desde então, esses espaços passaram a integrar diferentes estratégias locais de assistência alimentar.

Em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, as ações do Dia Mundial da Alimentação também reuniram distribuição de refeições, atividades de educação alimentar e iniciativas de valorização dos agricultores que doam produtos a instituições sociais. A programação envolveu órgãos municipais, entidades sociais e representantes do setor agrícola.

O Banco de Alimentos local promoveu atividades de saúde para produtores da Ceasa Serra e reconheceu a contribuição das doações para o atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Segurança Alimentar Exige Continuidade

Em julho de 2026, a Organização das Nações Unidas confirmou que o Brasil manteve abaixo de 2,5% a proporção da população subalimentada durante os três anos anteriores, indicador utilizado para avaliar a permanência de um país fora do Mapa da Fome.

A continuidade dos resultados depende da articulação entre produção agrícola, políticas públicas e redes comunitárias. As experiências destacadas no Dia Mundial da Alimentação mostram como essa cooperação pode ampliar o acesso a alimentos, embora a manutenção das iniciativas continue sendo um desafio para garantir atendimento regular às populações vulneráveis.