Primeiro leilão de gás natural da União atrai 23 indústrias e supera preço mínimo em 35%
Certame da PPSA destinou 1,1 milhão de metros cúbicos por dia a 23 empresas, com fornecimento previsto entre março e dezembro de 2027.

O primeiro leilão de gás natural da União destinado diretamente à indústria brasileira terminou nesta quinta-feira (22 de outubro) com a venda de toda a oferta disponível. Ao todo, 23 empresas arremataram os 110 lotes colocados em disputa, equivalentes a 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, com fornecimento previsto entre março e dezembro de 2027. O certame registrou ágio médio de 35% sobre o prêmio mínimo estabelecido no edital.
Organizado pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), o leilão foi realizado por meio da plataforma eletrônica da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Das 36 empresas habilitadas, 23 conseguiram adquirir volumes do combustível, em uma disputa que abrangeu cinco segmentos industriais considerados estratégicos para a economia nacional.
Entre as empresas vencedoras estão grandes grupos como Braskem, Vale, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Gerdau, Samarco, Ternium Brasil e Yara Brasil. Também participaram empresas dos setores químico, petroquímico, cerâmico e vidreiro.
A oferta foi distribuída em cinco etapas, conforme o segmento industrial. O setor químico e petroquímico recebeu 350 mil metros cúbicos diários, enquanto as indústrias siderúrgica, metalúrgica e de mineração ficaram com 320 mil metros cúbicos. O segmento cerâmico adquiriu 200 mil metros cúbicos por dia, o de fertilizantes nitrogenados ficou com 130 mil e o setor vidreiro recebeu 100 mil metros cúbicos diários.
O resultado representa um marco na política de comercialização do gás natural pertencente à União, proveniente dos contratos de partilha de produção do pré-sal. Pela primeira vez, a parcela federal do combustível foi oferecida diretamente aos consumidores industriais em um certame público, com o objetivo de ampliar a concorrência e criar alternativas de abastecimento para empresas brasileiras.
O prêmio médio alcançou US$ 2,44 por milhão de unidades térmicas britânicas (MMBtu), acima do valor mínimo de US$ 1,80 estabelecido para a disputa. O prêmio corresponde ao adicional oferecido pelas empresas e integra a fórmula de cálculo do preço contratual do gás.
O valor final será calculado mensalmente com base em 115% da média das cotações do Henry Hub, referência de preços do gás natural nos Estados Unidos, acrescidos do prêmio vencedor e dos efeitos da conversão cambial. Segundo estimativa da PPSA, considerando as referências utilizadas no cálculo, o preço médio da molécula poderá ficar em torno de US$ 5,83 por MMBtu, antes dos custos de transporte.
A economia efetiva para cada empresa dependerá, portanto, das condições contratuais, dos tributos e das despesas de transporte e distribuição. O gás será disponibilizado na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, no Rio de Janeiro, e caberá aos compradores organizar sua entrega às respectivas instalações industriais.
Para o governo, a iniciativa pode contribuir para reduzir custos de produção, estimular investimentos e fortalecer a competitividade da indústria nacional. A demanda superior à oferta também levou a PPSA a prever um novo leilão em 2027, com volume estimado de 1,8 milhão de metros cúbicos por dia.
Apesar do resultado positivo, o impacto sobre os preços pagos pelas empresas dependerá da logística de abastecimento e das condições do mercado. O certame, contudo, abre uma nova possibilidade de acesso ao gás natural e amplia as alternativas de contratação para setores que utilizam o combustível como insumo essencial.

