Receita federal atinge maior resultado de setembro e acumula R$ 2,35 trilhões em 2026
Receita acumulada nos nove primeiros meses de 2026 também foi a maior da série histórica, impulsionada por receitas previdenciárias, tributos sobre importações e rendimentos de capital.

A arrecadação do governo federal alcançou R$ 239,384 bilhões em setembro de 2026, estabelecendo um novo recorde para o mês desde o início da série histórica, em 1995. Os dados foram divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira (22 de outubro) e mostram crescimento real de 5,62% em comparação com setembro do ano passado, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
No acumulado de janeiro a setembro, o governo arrecadou R$ 2,351 trilhões em impostos, contribuições e outras receitas federais. O montante representa alta real de 6,97% em relação ao mesmo período de 2025 e também constitui o maior resultado registrado para os nove primeiros meses do ano.
O desempenho reflete a combinação de fatores econômicos e mudanças na legislação tributária. Entre os principais destaques estão o crescimento da arrecadação previdenciária, o avanço das receitas do PIS/Pasep e da Cofins, os recolhimentos do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital e o desempenho do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
As receitas administradas diretamente pela Receita Federal somaram R$ 231,426 bilhões em setembro, com aumento real de 5,03% na comparação anual. Já as receitas administradas por outros órgãos federais chegaram a R$ 7,958 bilhões, avanço real de 26,31%.
Um dos principais componentes do resultado foi a arrecadação previdenciária, que atingiu R$ 64,588 bilhões no mês, crescimento real de 6,18%. Segundo a Receita, o desempenho está relacionado ao aumento da massa salarial, ao avanço dos recolhimentos previdenciários do Simples Nacional e à retomada gradual da tributação sobre a folha de pagamentos e as contribuições patronais de municípios.
Os tributos incidentes sobre importações também contribuíram para o resultado. A arrecadação do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado às importações alcançou aproximadamente R$ 13,3 bilhões, alta real de 21,07% em relação a setembro de 2025.
Outro destaque foi o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de capital, que arrecadou cerca de R$ 12,06 bilhões, crescimento real de 9,68%. O resultado foi influenciado, entre outros fatores, pelos recolhimentos relacionados a aplicações financeiras e pela tributação de dividendos.
A arrecadação também recebeu um impulso extraordinário do imposto de exportação sobre petróleo bruto, que gerou aproximadamente R$ 2,943 bilhões em setembro. A medida foi adotada temporariamente pelo governo em meio às preocupações com o abastecimento e os efeitos da guerra no Oriente Médio. Sem esse ingresso adicional, o crescimento real das receitas administradas pela Receita Federal teria sido menor.
Apesar do resultado positivo para as contas públicas, a expansão da arrecadação não significa necessariamente uma melhora equivalente na situação fiscal do país. O equilíbrio das contas depende também da evolução das despesas obrigatórias, dos investimentos públicos, dos juros da dívida e de outras obrigações governamentais.
Os números de setembro reforçam a tendência de crescimento das receitas federais em 2026. Nos próximos meses, a continuidade desse desempenho dependerá da atividade econômica, do mercado de trabalho, do comportamento dos lucros empresariais e dos efeitos das medidas tributárias adotadas pelo governo.

