Atividade econômica avança em agosto, mas indicadores apontam perda
Atividade econômica avança em agosto, mas indicadores apontam perda de ritmo em setores sensíveis aos juros IBTimes Brasil

IBC-Br subiu 0,3% na comparação mensal, enquanto o varejo teve crescimento de apenas 0,1% e os serviços recuaram 0,1%; XP mantém projeção de expansão de 1,7% para o PIB de 2026.

A atividade econômica brasileira apresentou resultados mistos em agosto: o indicador do Banco Central avançou 0,3% em relação a julho, mas os dados setoriais mostraram desempenho fraco do comércio varejista e queda no volume de serviços. O conjunto reforça a avaliação de que a economia segue crescendo, embora alguns segmentos estejam perdendo força diante do custo do crédito e das pressões sobre os custos operacionais.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado em 16 de outubro, funciona como uma referência antecipada do comportamento do Produto Interno Bruto (PIB). Ele reúne informações de diferentes setores e ajuda a acompanhar a direção da atividade antes da divulgação das contas nacionais pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Não é, porém, uma medida idêntica ao PIB nem substitui seu resultado oficial.

Na pesquisa mensal do comércio, o volume de vendas do varejo cresceu 0,1% em agosto, na comparação com julho e com ajuste sazonal. O avanço foi limitado depois de uma queda de 0,8% em julho. Na comparação com agosto do ano anterior, as vendas aumentaram 0,4%, segundo o IBGE. Os números mostram que houve crescimento, mas em ritmo moderado.

O resultado agregado esconde diferenças entre atividades. Segmentos que dependem mais de financiamento, como móveis, eletrodomésticos e veículos, podem sentir com maior intensidade os efeitos de juros elevados e de condições de crédito mais restritivas. Para consumidores, o custo do parcelamento influencia a decisão de adquirir bens duráveis; para as empresas, afeta a velocidade das vendas e a necessidade de manter estoques.

Nos serviços, o IBGE registrou queda de 0,1% em agosto frente ao mês anterior. O setor é amplo e reúne atividades que vão de transportes e serviços profissionais a informação e comunicação. Por isso, a variação do índice geral não significa que todas as áreas tenham recuado na mesma proporção. O resultado, ainda assim, indica uma interrupção do crescimento no mês.

Os custos de transporte também merecem atenção em um cenário de petróleo caro. Quando combustíveis ficam mais caros, empresas de logística podem enfrentar aumento das despesas, com possíveis reflexos sobre margens, fretes e preços de outros bens. A intensidade e a velocidade desse repasse dependem de contratos, concorrência, estoques e condições de demanda.

A XP Investimentos manteve sua projeção de crescimento de 1,7% para o PIB brasileiro em 2026, segundo a análise econômica citada na pauta. Essa estimativa é uma projeção privada, não um dado oficial nem uma garantia de resultado. Ela deve ser interpretada à luz dos indicadores que forem divulgados nos próximos meses, incluindo produção industrial, comércio, serviços, emprego e inflação.

O quadro também apresenta um desafio para a política monetária. A taxa Selic estava em 13,75% ao ano após a decisão do Comitê de Política Monetária de setembro. Juros elevados tendem a conter a demanda e ajudam no combate à inflação, mas também encarecem empréstimos para famílias e empresas. A decisão do Banco Central depende não apenas da atividade, mas da evolução dos preços e das expectativas inflacionárias.

Os dados de agosto, portanto, não demonstram uma contração generalizada da economia. Indicam uma expansão desigual, com avanço do IBC-Br, crescimento pequeno no varejo e retração nos serviços. A trajetória dos próximos meses será decisiva para saber se a desaceleração se aprofunda ou se os setores voltam a ganhar força.