Trabalho em casa.
Funcionário participando de uma reunião de trabalho virtualmente de casa. VALERY HACHE/AFP via Getty Images

O trabalho em casa continua ocupando um espaço relevante no mercado de trabalho brasileiro mesmo após a retomada das atividades presenciais. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 7,9% da população ocupada trabalhava de casa em 2025, percentual que permanece acima do registrado antes da pandemia de Covid-19.

Os números foram destacados pela Folha de S.Paulo e pelo jornal O Tempo em reportagens publicadas em 23 de setembro. O levantamento permite observar como uma modalidade que ganhou força durante a crise sanitária continuou presente depois da redução das restrições e da recuperação das atividades presenciais.

Trabalho Remoto Vai Além Da Pandemia

O home office avançou durante a pandemia porque empresas e trabalhadores precisaram encontrar alternativas para manter determinadas atividades enquanto as medidas de distanciamento social estavam em vigor. Com a reabertura dos estabelecimentos e a retomada da circulação, parte dessas atividades voltou ao modelo presencial.

O dado de 2025, entretanto, mostra que o trabalho em casa não retornou ao mesmo cenário existente antes da crise sanitária. Uma parcela da população ocupada continuou exercendo suas funções a partir da residência, mantendo o percentual acima do nível pré-pandemia.

Essa permanência indica que as mudanças provocadas pela pandemia não ficaram restritas ao período emergencial. Em determinadas ocupações, o trabalho remoto passou a fazer parte da organização das atividades profissionais, estabelecendo uma alternativa ao modelo tradicional baseado exclusivamente na presença física no local de trabalho.

Uma Transformação Na Organização Do Trabalho

A presença do home office no mercado brasileiro também está relacionada à possibilidade de realizar determinadas funções sem a necessidade de deslocamento diário até uma empresa ou outro espaço profissional. A experiência acumulada durante a pandemia contribuiu para consolidar essa forma de trabalho em parte das atividades que podem ser realizadas a distância.

O percentual registrado pelo IBGE não significa que o trabalho remoto tenha se tornado predominante entre os trabalhadores brasileiros. Os 7,9% representam uma parcela da população ocupada. O principal aspecto revelado pelo dado é a continuidade dessa modalidade em um nível superior ao observado antes da pandemia.

A evolução também mostra que a reorganização do trabalho provocada pela crise sanitária deixou efeitos posteriores. Mesmo com a retomada das atividades presenciais, o trabalho em casa permaneceu como parte da realidade profissional de milhões de brasileiros.

Dessa forma, os dados de 2025 ajudam a acompanhar uma transformação estrutural na organização do mercado de trabalho. A permanência do home office acima do patamar pré-pandemia mostra que algumas mudanças adotadas em caráter emergencial acabaram incorporadas de maneira mais duradoura à rotina profissional no Brasil.