Etanol sobe quase 20% em usinas paulistas em um mês
Etanol sobe quase 20% em usinas paulistas em um mês Divulgação/GWM

O preço do etanol hidratado nas usinas de São Paulo registrou alta de quase 20% em pouco mais de um mês, impulsionado pela demanda aquecida e por interrupções na moagem de cana provocadas pelas chuvas no Centro-Sul do país. As cotações passaram de R$ 2,05 por litro no início de agosto para R$ 2,46 na semana encerrada em 11 de setembro, segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA.

Os fatores da alta

A recuperação das cotações ocorre após um período de forte pressão sobre os preços e reflete uma combinação de fatores: consumo doméstico recorde, valorização do açúcar no mercado internacional e menor oferta de matéria-prima em algumas regiões produtoras. Segundo dados do Cepea/Esalq, entre 8 e 11 de setembro o etanol hidratado foi cotado, sem impostos, a uma média de R$ 2,4622 por litro nas usinas paulistas, avanço de 2,63% em relação à semana anterior — o que confirma a tendência de alta iniciada no fim de julho.

Demanda recorde e competitividade

A demanda doméstica é apontada como um dos principais fatores de sustentação do mercado. Em julho, as distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de etanol hidratado, o maior volume já registrado para o mês. A competitividade do biocombustível em relação à gasolina também favoreceu o consumo: em São Paulo, principal mercado consumidor do país, a paridade entre os dois combustíveis permaneceu abaixo de 60% no período analisado, mantendo o etanol economicamente mais vantajoso na bomba.

Chuvas atrasam a moagem

O mercado segue atento ao comportamento da oferta de cana-de-açúcar. As chuvas na região Centro-Sul têm provocado interrupções na moagem e podem prolongar o período de processamento da matéria-prima na safra 2026/27. Segundo o Cepea, diversas usinas chegaram a paralisar as atividades sem previsão definida de retomada, e há preocupação sobre quanto de cana ainda poderá ser processado até o fim da moagem, com risco de parte da produção ficar para a safra seguinte. Partes de São Paulo, Minas Gerais e Paraná devem registrar novas chuvas próximas ou acima da média histórica nos próximos dias, ainda que em volumes menores que os observados na semana anterior, quando as precipitações chegaram entre 40 e 60 milímetros em boa parte das áreas produtoras.

Avaliação de analistas

Para Mariana Zechin, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a recuperação observada nas últimas semanas reflete uma combinação positiva de fundamentos, com o avanço do consumo, a maior competitividade do etanol e as discussões regulatórias reforçando a perspectiva de um mercado mais equilibrado.

Perspectivas regulatórias

O cenário também é influenciado por expectativas no campo regulatório: o Ministério de Minas e Energia deve autorizar testes para elevar a mistura de etanol na gasolina para 35%, medida que poderia gerar demanda extra de até 2,5 bilhões de litros por ano. Ajustes recentes na tributação do PIS/Cofins também teriam favorecido a competitividade do setor sucroenergético, embora a volatilidade do petróleo continue sendo monitorada de perto pelo mercado.