Produção industrial do Brasil registra pior agosto em 11 anos, aponta CNI
Índice da CNI ficou em 46,3 pontos, abaixo da linha de 50 que indica retração, enquanto empresários demonstraram menor disposição para investir.

Brasília. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta segunda-feira (21) que o índice de evolução da produção industrial brasileira ficou em 46,3 pontos em agosto, após uma queda de 4,7 pontos em relação a julho, quando o indicador havia registrado 51 pontos. De acordo com a Sondagem Industrial, trata-se do pior resultado para o mês de agosto em 11 anos. A pesquisa mensal de opinião empresarial é realizada pela entidade em parceria com 25 federações estaduais da indústria desde 1998.
O levantamento, que nesta edição ouviu 1.403 empresas industriais de diferentes portes e regiões do país, também mostrou uma forte redução na disposição dos empresários para investir. O índice de intenção de investimento caiu para o menor nível em seis anos, aprofundando uma tendência negativa que já acumulava três quedas consecutivas nos meses anteriores. Na metodologia da CNI, resultados abaixo da marca de 50 pontos indicam retração da atividade, enquanto índices acima desse nível apontam expansão.
O resultado contrasta com o desempenho de julho, quando a produção industrial havia superado a marca de 50 pontos pela primeira vez desde março, sinalizando uma possível recuperação do setor após vários meses de estagnação. A melhora, no entanto, não se sustentou. Agosto é tradicionalmente um mês de expansão sazonal para a indústria brasileira, o que tornou a intensidade da queda ainda mais relevante para os analistas que acompanham o desempenho do setor.
Segundo especialistas da própria CNI, a deterioração do ambiente macroeconômico continua sendo um dos principais fatores por trás da perda de dinamismo da indústria. Entre os fatores apontados em relatórios recentes da entidade estão o nível elevado das taxas de juros, que encarece o crédito e desestimula novos projetos produtivos; o aumento contínuo dos custos de produção; e o avanço das importações no mercado doméstico, que reduz o espaço ocupado pela indústria nacional.
A queda na intenção de investimento é especialmente relevante porque costuma antecipar o comportamento da atividade produtiva nos meses seguintes. Quando os empresários adiam planos de expansão, aquisição de máquinas ou ampliação de unidades industriais, os efeitos tendem a aparecer posteriormente na produção e no emprego do setor. Nas últimas edições da pesquisa, a CNI já havia alertado para uma perda generalizada de confiança entre os empresários da indústria, com o indicador acumulando vários meses consecutivos em território negativo.
O novo dado se soma a um cenário econômico que vem gerando preocupação entre os setores produtivos brasileiros na reta final de 2026, em um momento em que o país também atravessa as incertezas próprias da campanha eleitoral para as eleições presidenciais de outubro. Segundo avaliações de diferentes analistas, o ambiente contribui para aumentar a cautela dos empresários na hora de assumir novos compromissos de investimento de médio e longo prazo.





















