Diretor do Banco Central defende cautela nos juros e diz não esperar grandes solavancos no câmbio
Nilton David afirma que a política monetária segue restritiva, apesar dos cortes da Selic, e avalia que o real está menos sensível ao diferencial de juros entre Brasil e EUA.

Nilton David participou da J. Safra Investment Conference, em São Paulo, e afirmou que o atual cenário de incerteza exige movimentos suaves e previsíveis na política monetária
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta quarta-feira (23), em São Paulo, que o atual ambiente econômico exige cautela na condução dos juros e movimentos previsíveis da autoridade monetária. Durante a J. Safra Investment Conference, David também disse não esperar grandes oscilações do real diante das recentes mudanças nas taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos.
A participação do diretor ocorreu em um momento de atenção dos investidores à trajetória da Selic e aos efeitos das decisões dos bancos centrais brasileiro e americano sobre o câmbio e os fluxos de capital.
Segundo David, o Banco Central está conduzindo um processo de "calibração" da política monetária, e não propriamente iniciando uma fase ampla de flexibilização. A avaliação apresentada no evento é de que os juros ainda permanecem em nível contracionista, mesmo após os cortes realizados pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
O diretor defendeu que, diante de um cenário marcado por incertezas, os próximos movimentos devem ser graduais. A ideia, segundo ele, é reduzir o risco de choques desnecessários sobre a economia e os mercados financeiros.
A posição foi apresentada após o Copom reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. O movimento representou o quinto corte consecutivo de mesma magnitude, segundo informações divulgadas pela Reuters.
David também relacionou a cautela ao fato de a economia brasileira ainda apresentar crescimento acima de seu potencial, enquanto as expectativas de inflação permanecem um elemento de atenção para a política monetária. O Safra destacou que, na avaliação do diretor, esse quadro justifica a manutenção de uma postura restritiva.
Outro tema abordado na conferência foi o câmbio. David afirmou que não espera grandes solavancos no real em razão da mudança relativa entre os juros brasileiros e americanos.
A questão ganhou importância porque o Brasil reduziu sua taxa básica de juros neste mês, enquanto o Federal Reserve elevou o custo dos empréstimos nos Estados Unidos. Em tese, uma redução do diferencial de juros pode diminuir o incentivo para que investidores mantenham recursos em ativos brasileiros e aumentar a demanda por dólares.
David avaliou, porém, que o real está atualmente menos sensível a essa diferença do que em outros períodos. Um dos fatores apontados é o nível ainda elevado dos juros brasileiros, associado ao processo de desancoragem das expectativas de inflação.
As declarações de David não representam uma indicação formal sobre uma decisão futura do Copom. Elas, contudo, ajudam a esclarecer como um integrante da diretoria do Banco Central avalia o ambiente econômico e os critérios que devem orientar a condução da política monetária.
A mensagem apresentada aos investidores foi de continuidade de uma política ainda restritiva, com eventuais ajustes graduais. Em vez de sinalizar uma mudança abrupta de direção, David descreveu o processo atual como um ajuste fino das condições monetárias.
O discurso também ocorreu em um contexto de incertezas externas, incluindo alterações na política monetária americana e riscos associados ao cenário internacional. Para o diretor, a previsibilidade dos movimentos é particularmente importante quando os mercados enfrentam maior volatilidade.





















