Globo cancela debate presidencial após decisões judiciais e desistência de candidatos
Mudanças determinadas pelo TSE e pelo STF alteraram as regras do programa e a lista de candidatos participantes; encontro ocorreria em 1º de outubro.

Encontro estava marcado para a noite de 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno. Mudanças determinadas pelo TSE e pelo STF alteraram as regras e a composição prevista para o programa, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro anunciaram que não participariam.
A TV Globo cancelou o debate presidencial que seria transmitido na noite de quinta-feira, 1º de outubro, depois de mudanças judiciais nas regras do encontro e da desistência do senador Flávio Bolsonaro (PL). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, já havia informado que não compareceria. O programa seria o último debate televisivo antes do primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro.
Em comunicado, a emissora justificou o cancelamento pela insegurança jurídica provocada por decisões tomadas a poucas horas da transmissão. As determinações envolviam tanto a forma de tratar a ausência de Lula no cenário quanto a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) entre os participantes. A Globo afirmou que as mudanças alteraram as condições previamente estabelecidas para o debate.
Decisões judiciais mudaram as regras do programa
Uma das decisões partiu da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao analisar um pedido da coligação ligada à candidatura de Lula, ela proibiu a emissora de destacar no cenário o púlpito vazio reservado ao presidente e de permitir que os demais candidatos dirigissem perguntas especificamente a ele, mesmo ausente. A decisão modificou regras que, segundo a Globo, haviam sido formalizadas previamente com as campanhas.
A segunda mudança veio do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Gilmar Mendes determinou que a Globo assegurasse a participação de Renan Santos, candidato do partido Missão. A ordem alterou a composição prevista pela emissora, que inicialmente havia convidado candidatos com base em critérios de representação parlamentar e incluído Romeu Zema (Novo) após decisão judicial anterior.
As decisões tinham objetos distintos: uma tratava do tratamento dado ao candidato ausente; a outra, do direito de participação de Renan Santos. A emissora sustentou que a combinação das determinações, recebidas na reta final da preparação, comprometeu as condições para realizar o programa conforme o planejamento original.
Flávio Bolsonaro também anunciou desistência
Flávio Bolsonaro comunicou que não participaria do encontro depois da decisão de Gilmar Mendes. Em publicação nas redes sociais, atribuiu sua desistência ao que chamou de "censura" do TSE. Essa expressão corresponde à avaliação do próprio candidato sobre as decisões judiciais, e não à classificação jurídica estabelecida pelos tribunais.
Lula havia informado à emissora, no dia anterior, que não iria ao debate. No horário em que o programa estava previsto, o presidente participou de uma entrevista ao Flow Podcast. A ausência dos dois candidatos deixou a Globo diante de uma configuração diferente daquela inicialmente planejada para o confronto.
Antes do cancelamento, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) estavam entre os participantes previstos. Renan Santos havia sido incluído por determinação judicial. Segundo o Diário Carioca, alguns candidatos já se encontravam na emissora quando o cancelamento foi anunciado.
Debate cancelado a três dias da votação
O cancelamento ocorreu na etapa final da campanha presidencial, quando faltavam três dias para o primeiro turno. Com isso, os eleitores ficaram sem o confronto que a Globo havia programado para a noite de quinta-feira.
O episódio também expôs a sobreposição de decisões judiciais e escolhas das campanhas na organização de debates eleitorais. A Justiça examinou questões relacionadas à participação dos candidatos e às regras do programa, enquanto a emissora defendeu sua autonomia para organizar o encontro dentro dos critérios anunciados.
O cancelamento do debate da Globo não altera, por si só, o calendário de votação: o primeiro turno permanece marcado para 4 de outubro. Eventuais encontros posteriores dependerão da programação das emissoras e, caso haja segundo turno, das datas previstas para essa etapa da eleição.

