Vladimir Putin e Trump
Autoridades brasileiras alertaram França e Alemanha sobre suposta interferência eleitoral atribuída aos Estados Unidos e à Rússia. Andrew Harnik/Getty Images

Autoridades brasileiras informaram a delegações da França e da Alemanha sobre uma suposta interferência eleitoral no Brasil envolvendo os Estados Unidos e a Rússia. O alerta ocorreu durante uma visita de representantes europeus a Brasília, entre os dias 9 e 11 de setembro.

De acordo com um relatório elaborado por um dos participantes das reuniões, representantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) afirmaram ter identificado interferência dos dois países. No caso dos Estados Unidos, os funcionários mencionaram ações que iriam de medidas judiciais a formas de interferência consideradas publicamente reconhecidas. Em relação à Rússia, porém, não foram apresentados detalhes sobre quais seriam as ações atribuídas ao país.

Delegação Europeia Esteve Em Brasília

A visita das autoridades francesas e alemãs ocorreu no contexto de uma delegação da União Europeia que discutiu a implementação da Lei de Serviços Digitais (DSA), legislação europeia voltada, entre outros pontos, ao combate a conteúdos ilegais e prejudiciais nas plataformas digitais.

Segundo um documento analisado pela Reuters, outro objetivo da missão era preparar possíveis respostas coordenadas antes das eleições brasileiras de 2026. A delegação francesa contou com representantes da Viginum, agência responsável pela identificação de campanhas estrangeiras de desinformação, e da Arcom, órgão regulador de mídia e comunicações. A Alemanha foi representada pela Agência Federal de Redes.

A Agência Federal de Redes alemã esclareceu, contudo, que uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições alemãs não foi discutida durante a reunião. A Arcom e a Viginum confirmaram a participação de seus representantes na visita ao Brasil.

Acusações Ainda Sem Resposta Oficial

As alegações apresentadas às delegações europeias não receberam, no momento da publicação da reportagem, uma resposta específica dos governos dos Estados Unidos e da Rússia. O Departamento de Estado americano não respondeu ao pedido de comentário da Reuters e já havia negado anteriormente qualquer tentativa de interferir nas eleições brasileiras. A Abin e a Embaixada da Rússia no Brasil também não responderam aos pedidos de posicionamento.

Durante as reuniões, uma autoridade brasileira de alto escalão da área de segurança cibernética afirmou, sob condição de anonimato, que o número de ataques cibernéticos no Brasil quase havia dobrado em relação a 2025. Também teria ocorrido aumento de invasões e tentativas de phishing contra a Presidência da República, que o funcionário relacionou ao processo eleitoral.

O caso coloca a segurança digital e a possível atuação estrangeira entre os temas acompanhados pelas autoridades brasileiras e europeias durante o período que antecede as eleições de 2026.