PF indicia 13 executivos do mercado financeiro em investigação
PF indicia 13 executivos do mercado financeiro em investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC IBTimes Brasil

Relatório da Operação Quasar foi encaminhado ao Ministério Público Federal em 30 de setembro. Investigação apura o uso de fundos, corretoras e fintechs para ocultar recursos relacionados a fraudes no setor de combustíveis; empresários conhecidos como Primo e Beto Louco são apontados pela polícia como figuras centrais do esquema.

A Polícia Federal (PF) indiciou 13 executivos ligados a fundos de investimento, corretoras e fintechs por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta investigado na Operação Quasar, desdobramento da Carbono Oculto. O relatório final foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF) em 30 de setembro, e caberá agora aos procuradores decidir se apresentam denúncia à Justiça, solicitam novas diligências ou pedem o arquivamento do caso.

Segundo a investigação, estruturas financeiras teriam sido utilizadas para movimentar recursos provenientes de fraudes no setor de combustíveis, ocultar seus beneficiários e dificultar o rastreamento do dinheiro. Os indiciamentos envolvem suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. As acusações ainda não equivalem a uma condenação, e a eventual responsabilização criminal dependerá das etapas seguintes do processo.

A PF apura a utilização de fundos de investimento e empresas do mercado financeiro em uma estrutura com diferentes camadas societárias. De acordo com os investigadores, fundos poderiam deter participações em outros fundos ou empresas, dificultando a identificação dos beneficiários finais dos recursos.

O relatório também aponta operações de compra e venda de ativos, como imóveis e títulos, que, segundo a polícia, não teriam finalidade econômica real. Entre os elementos reunidos na investigação estão mensagens, contratos, planilhas, extratos bancários e perícias contábeis obtidos durante a apuração.

O caso tem reflexos sobre o mercado financeiro de São Paulo, incluindo a região da avenida Faria Lima, onde se concentram gestoras, corretoras e outras empresas do setor. A investigação examina como instituições e estruturas de pagamento teriam sido utilizadas para fazer circular recursos entre empresas e pessoas, com o objetivo de dificultar a identificação de sua origem e de seus destinatários.

A Operação Quasar integra o conjunto de investigações relacionadas à Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para apurar suspeitas de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e irregularidades na cadeia de combustíveis. A PF também conduziu a Operação Tank, enquanto outros órgãos participaram das apurações sobre empresas, postos e estruturas financeiras.

Os investigadores apontam Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, como empresários centrais no esquema investigado. Ambos estão foragidos, segundo as reportagens consultadas. As defesas dos dois contestam as acusações e negam que haja comprovação de vínculo com facções criminosas.

É importante distinguir os papéis atribuídos aos envolvidos: os 13 executivos foram indiciados no inquérito da Quasar; Primo e Beto Louco são apontados nas investigações mais amplas como figuras centrais do esquema, mas não constam entre os 13 indiciados nesse inquérito específico, segundo a cobertura consultada.

Com o relatório nas mãos do MPF, a investigação entra em uma nova etapa. Os procuradores poderão apresentar denúncia, caso entendam que há elementos suficientes para levar os investigados a julgamento, pedir que a PF complemente a apuração ou promover o arquivamento.

Até que haja uma eventual denúncia recebida pela Justiça e o processo avance, os indiciados permanecem investigados, e as acusações devem ser tratadas como suspeitas atribuídas à apuração policial.