ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias
ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa Rovena Rosa/Agência Brasil

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deverá ampliar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu, com a expectativa de que 94% dos bens exportados pelo Brasil ao bloco estejam livres de tarifas de importação em até quatro anos, segundo declaração do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, nesta quinta-feira (22 de outubro de 2026).

A estimativa foi apresentada durante o evento Conexões Produtivas, realizado em Porto Alegre (RS), com participação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O encontro reuniu representantes do setor produtivo para discutir como as empresas podem aproveitar as oportunidades abertas pelo tratado comercial.

Segundo o ministro, a redução tarifária já começou a beneficiar uma parcela dos produtos brasileiros, enquanto outras categorias terão suas tarifas eliminadas progressivamente, conforme o cronograma negociado entre os dois blocos. A expectativa é que a ampliação do acesso ao mercado europeu fortaleça a competitividade das empresas nacionais, estimule investimentos e contribua para diversificar os destinos das exportações.

O acordo Mercosul-União Europeia foi assinado em 17 de janeiro de 2026, após mais de duas décadas de negociações. O tratado envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além dos países integrantes da União Europeia, e estabelece regras para o comércio de mercadorias, serviços, investimentos e outras áreas de cooperação econômica.

O mercado europeu representa uma oportunidade estratégica para o Brasil por reunir centenas de milhões de consumidores com elevado poder de compra. Em 2024, as exportações brasileiras para a União Europeia somaram aproximadamente US$ 48,2 bilhões, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O bloco respondeu por 14,3% das vendas externas brasileiras naquele ano.

A abertura comercial poderá beneficiar diferentes setores, incluindo produtos agrícolas, alimentos, matérias-primas e bens industriais. No entanto, a velocidade de redução das tarifas varia conforme a categoria de produto. Algumas mercadorias terão isenção imediata, enquanto outras seguirão cronogramas de quatro, sete, oito, dez ou até 12 anos. Determinados produtos agrícolas também estarão sujeitos a cotas e condições específicas.

De acordo com informações do governo federal, a oferta europeia prevê a liberalização de aproximadamente 95% dos bens comercializados, considerando as linhas tarifárias, e de cerca de 92% do valor das importações europeias de produtos brasileiros. Esses percentuais demonstram a abrangência do acordo, embora não signifiquem que todos os produtos estarão imediatamente livres de impostos.

O tratado também prevê mecanismos para proteger setores considerados sensíveis, além de regras sanitárias, ambientais e de origem que as empresas deverão cumprir para obter as preferências tarifárias. Por isso, a redução dos impostos não elimina a necessidade de adequação às exigências do mercado europeu.

Durante o evento, Márcio Elias Rosa destacou ainda o avanço das negociações comerciais do Mercosul com o Canadá e defendeu a diversificação de parceiros diante das incertezas geopolíticas. Sobre os Estados Unidos, o ministro afirmou esperar um entendimento favorável nas discussões relacionadas às tarifas aplicadas a produtos brasileiros.

A implementação do acordo deverá exigir preparação das empresas, investimentos em produtividade e conhecimento das regras de exportação. Para o governo, o objetivo é transformar a ampliação do acesso comercial em oportunidades concretas de negócios, geração de empregos e fortalecimento da presença brasileira no comércio internacional.