Pesticida
Relatório da Oxfam aponta que o Brasil importou cerca de 15 mil toneladas de pesticidas proibidos na União Europeia em 2024 e questiona diferenças regulatórias e riscos de exposição. Jc Milhet / Hans Lucas / AFP via Getty Images

O Brasil importou aproximadamente 15 mil toneladas de pesticidas proibidos na União Europeia em 2024, segundo um relatório da Oxfam publicado em 16 de outubro de 2026. O documento questiona as diferenças entre as regras de comercialização de produtos químicos agrícolas nos mercados europeu e brasileiro e levanta preocupações sobre os possíveis impactos dessas substâncias para trabalhadores rurais e comunidades expostas.

Intitulado Toxic Trade: The European Union's Double Standard on Highly Hazardous Pesticides (Comércio Tóxico: O Duplo Padrão da União Europeia sobre Pesticidas Altamente Perigosos), o estudo aborda a comercialização internacional de agrotóxicos considerados altamente perigosos e a atuação de empresas que produzem substâncias submetidas a restrições diferentes conforme o país de destino.

De acordo com os números destacados pela organização, 49% dos pesticidas comercializados no Brasil são classificados como altamente perigosos. O percentual chama a atenção para a presença dessas substâncias no mercado agrícola nacional e para as diferenças entre os critérios regulatórios adotados pelos países.

Diferenças Nas Regras Entre Mercados

A investigação da Oxfam coloca em discussão a possibilidade de empresas comercializarem em outros países produtos que não podem ser utilizados ou vendidos na União Europeia. Essa diferença regulatória levanta questionamentos sobre a coerência das políticas de proteção à saúde e ao meio ambiente no comércio internacional.

O tema envolve a responsabilidade dos fabricantes, as exigências impostas pelas autoridades nacionais e os critérios utilizados para determinar quais substâncias podem ser comercializadas. As diferenças entre legislações também tornam relevante o debate sobre a transparência das informações disponibilizadas aos compradores e aos trabalhadores que lidam diretamente com esses produtos.

O relatório concentra-se, assim, na relação entre as regras europeias para pesticidas e a comercialização dessas substâncias em mercados com normas distintas, como o brasileiro.

Exposição De Trabalhadores Rurais Preocupa

Outro ponto levantado pela investigação é a exposição dos trabalhadores rurais aos pesticidas altamente perigosos. Esses profissionais podem entrar em contato com os produtos durante atividades de armazenamento, preparo e aplicação, o que torna importantes as medidas de prevenção e o cumprimento das normas de segurança.

A análise também suscita questões sobre a proteção das comunidades rurais e sobre a responsabilidade das empresas que fornecem substâncias químicas para diferentes mercados. Entretanto, os números apresentados no enfoque do relatório não permitem determinar quantas pessoas foram expostas, quantos casos de intoxicação ocorreram ou quais efeitos específicos podem ser atribuídos aos produtos mencionados.

A divulgação do estudo amplia o debate sobre a regulamentação de agrotóxicos, a responsabilidade empresarial e as diferenças nas exigências comerciais entre países. O relatório da Oxfam coloca em evidência a necessidade de examinar como essas regras são aplicadas e quais mecanismos de proteção existem para os trabalhadores e as populações potencialmente afetadas.