Intercâmbio entre Brasil e China bate recorde e garante saldo positivo de US$ 26 bilhões
Corrente comercial cresceu 11,1% nos primeiros nove meses do ano, com superávit brasileiro de US$ 26,05 bilhões; soja, petróleo e minério de ferro lideram as vendas.

O comércio entre Brasil e China alcançou um novo recorde nos primeiros nove meses de 2026, movimentando US$ 143,3 bilhões entre janeiro e setembro. O resultado representa crescimento de 11,1% em relação ao mesmo período de 2025 e reforça a posição do país asiático como um dos principais parceiros comerciais brasileiros. No período, o Brasil registrou superávit de US$ 26,05 bilhões, impulsionado pelo avanço das exportações.
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações brasileiras destinadas à China somaram US$ 84,68 bilhões, alta de 12% na comparação anual. Já as importações de produtos chineses chegaram a US$ 58,62 bilhões, crescimento de 9,9%. A diferença entre os valores exportados e importados resultou em um saldo favorável ao Brasil.
O desempenho bilateral acompanhou a expansão do comércio exterior brasileiro. Entre janeiro e setembro, a corrente de comércio do país, que corresponde à soma das exportações e importações, atingiu US$ 506,91 bilhões, avanço de 8% em relação aos nove primeiros meses do ano anterior. O superávit comercial brasileiro no período alcançou US$ 62,40 bilhões.
Agronegócio e setor mineral sustentam as vendas
A pauta exportadora brasileira para o mercado chinês permanece concentrada em produtos agrícolas, energéticos e minerais. A soja, o petróleo bruto e o minério de ferro estão entre os principais itens comercializados, refletindo a demanda chinesa por alimentos, matérias-primas e recursos necessários à atividade industrial.
A soja mantém papel estratégico nessa relação, especialmente pela importância da China para o agronegócio brasileiro. O petróleo também ganhou destaque em 2026, com aumento expressivo das receitas obtidas com as vendas ao mercado asiático.
Além dos produtos tradicionais, outros segmentos vêm ampliando sua participação. Entre eles estão derivados do milho utilizados na alimentação animal e minerais estratégicos empregados na fabricação de baterias e em tecnologias relacionadas à transição energética. Essa diversificação pode abrir novas oportunidades para produtores brasileiros e ampliar a presença do país em cadeias produtivas internacionais.
Importações refletem a presença industrial chinesa
Do lado das compras brasileiras, os produtos industriais e tecnológicos ocupam espaço relevante. Veículos eletrificados, equipamentos, componentes eletrônicos e produtos químicos estão entre os itens que conectam a indústria chinesa ao mercado consumidor e produtivo brasileiro.
As importações de automóveis elétricos e híbridos produzidos na China ilustram essa aproximação. A expansão desse segmento ocorre em meio à transformação da indústria automotiva e ao crescimento da oferta de veículos eletrificados no Brasil.
Entretanto, o avanço das importações também evidencia desafios para a indústria nacional, que precisa competir com produtos estrangeiros e, ao mesmo tempo, buscar investimentos, inovação e maior produtividade.
Setembro registra mudança no ritmo mensal
Apesar do resultado positivo acumulado, os dados de setembro mostram um cenário diferente. As exportações brasileiras para a China somaram US$ 7,89 bilhões no mês, queda de 7,6% em relação a setembro de 2025. As importações provenientes do país asiático, por sua vez, cresceram 12,6%, alcançando US$ 7,06 bilhões.
Mesmo com a redução das vendas no mês, o Brasil manteve superávit bilateral de US$ 830 milhões em setembro. O resultado demonstra que o desempenho comercial pode variar de acordo com a demanda internacional, os preços das commodities e o calendário de embarques.
O saldo acumulado de US$ 26,05 bilhões confirma a relevância da China para a balança comercial brasileira em 2026. A continuidade desse desempenho dependerá da demanda por produtos nacionais, das condições do mercado internacional e da capacidade brasileira de diversificar suas exportações e agregar valor à produção.
Com o recorde de movimentação comercial, Brasil e China mantêm uma relação econômica estratégica, que combina o fornecimento brasileiro de alimentos e matérias-primas com a importação de bens industriais e tecnológicos. O desafio para o Brasil será aproveitar esse intercâmbio para ampliar oportunidades econômicas e fortalecer sua competitividade internacional.

