Rebanho bovino encolhe pelo segundo ano seguido e vai a 234,3 milhões de cabeças, mas valor da pecuária bate recorde
Levantamento do IBGE aponta segunda queda anual consecutiva no número de bovinos, mas pecuária movimenta R$ 141,2 bilhões, alta de 6,2%.

O rebanho bovino brasileiro recuou 1,7% em 2025 e chegou a 234,3 milhões de cabeças. É a segunda queda anual seguida e o menor número desde 2022, quando o país tinha 234,9 milhões de animais. Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar da redução, o valor da produção da pecuária atingiu R$ 141,2 bilhões, o maior da série histórica, com alta de 6,2% em relação a 2024.
Ciclo da pecuária
Segundo o IBGE, a queda está ligada ao atual ciclo da atividade, marcado pelo grande número de abates, inclusive de fêmeas. Isso reduz a capacidade de reprodução e contribui para o encolhimento do rebanho. Para efeito de comparação, o país encerrou o ano com 213,4 milhões de habitantes, segundo a estimativa populacional de 1º de julho de 2025.
Desempenho por região
O Centro-Oeste perdeu 3,7% e registrou a terceira queda anual seguida, mas segue com o maior rebanho, de 72,2 milhões de cabeças (30,8% do total). Mato Grosso continua sendo o estado com mais bovinos, com 13,5% do total nacional.
O Norte recuou 1,8%, para 63,4 milhões de cabeças. No Sudeste a queda foi de 1,0%, para 37,3 milhões, e no Sul, de 1,7%, para 24,1 milhões. Ambos caíram pelo terceiro ano consecutivo.
O Nordeste foi a única região a ampliar o rebanho, com alta de 2,2%, para 37,3 milhões de cabeças. No ranking municipal, São Félix do Xingu (PA) segue na liderança, com 2,7 milhões de animais.
Leite, ovos e mel
Em 2025 foram ordenhadas 14,7 milhões de vacas, o menor número desde 1979. Mesmo assim, o leite de vaca foi o principal item do valor da produção, com R$ 89,5 bilhões (63,4% do total). Os ovos de galinha vieram em seguida, com R$ 36,4 bilhões (25,8%), e o mel, com R$ 1,2 bilhão (0,9%).
O efetivo de galináceos chegou a 1,6 bilhão de cabeças, alta de 1,6% e novo recorde. A produção de ovos alcançou 5,7 bilhões de dúzias, o maior volume desde o início da série de crescimento, em 1999. A produção de mel subiu 4,5%, para 71,3 mil toneladas, também recorde.
Caprinos, ovinos e suínos
O número de caprinos cresceu 1,2%, para 13,5 milhões, e o de ovinos, 1,6%, para 22,3 milhões. Os dois segmentos renovaram máximas, impulsionados pelo Nordeste. O rebanho suíno ficou estável em 44 milhões de animais, com Toledo (PR) à frente entre os municípios.
Produtividade
Os números mostram um quadro de resultados distintos dentro da pecuária. Enquanto o plantel bovino encolhe, outros segmentos crescem e o valor total da produção sobe. Segundo a divulgação do levantamento, o desempenho reflete condições climáticas favoráveis e investimentos em genética e manejo, aliados à reorganização da base produtiva.

