Brasil Enfrenta Nova Crise no Transporte Coletivo
Queda na demanda, falta de infraestrutura e dependência das tarifas agravam congestionamentos, poluição e acidentes, segundo dados citados pelo Correio Braziliense e entidades do setor.

Um modelo sob pressão
O transporte coletivo brasileiro atravessa um momento crítico. Uma reportagem publicada neste domingo pelo Correio Braziliense descreve um sistema no qual todo o custo da operação recai sobre a tarifa cobrada na catraca, o que tem afastado justamente os passageiros que mais dependem do ônibus. O resultado, segundo o jornal, é uma combinação de cidades mais congestionadas, aumento da poluição e maior número de acidentes fatais, à medida que parte da população migra para carros particulares, motocicletas e aplicativos de transporte.
Uma queda histórica de passageiros
Os números citados pelo Correio Braziliense, apresentados por Francisco Christovam, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) durante a feira Lat.Bus, em São Paulo, mostram a dimensão do problema: o total de passageiros mensais caiu de cerca de 400 milhões em 2014 para 211,6 milhões no fim de 2025, uma retração acumulada próxima de 46% desde 2013. O documento mais recente da própria NTU, o Anuário 2025-2026, reforça esse diagnóstico ao descrever o setor em uma "encruzilhada", marcada por avanços institucionais, mas também por indicadores operacionais e financeiros que exigem ação coordenada entre poder público e empresas.
A migração para o transporte individual
De acordo com dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) citados pela reportagem, a busca por alternativas individuais cresceu de forma expressiva entre 2017 e 2024: as corridas por aplicativo passaram de 1% para 11,1% das viagens, o uso de motocicletas dobrou, de 5,1% para 10,9%, e os carros particulares já respondem por 26% dos deslocamentos. O Anuário da NTU acrescenta que, em 2025, o Brasil vendeu 2,2 milhões de motocicletas, um recorde que, pela primeira vez, superou o licenciamento de automóveis de passeio no país.
Infraestrutura insuficiente e cidades mais lentas
O Correio Braziliense destaca ainda que a maior parte das cidades brasileiras carece de estrutura dedicada ao transporte coletivo: entre 35 municípios pesquisados pela CNT, 46,4% não contam com nenhuma via prioritária para ônibus. Essa escassez se reflete diretamente no tempo perdido em engarrafamentos, que chega a superar 130 horas por ano em capitais como São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte, conforme o levantamento reproduzido pelo jornal.
Propostas para reverter o quadro
Para enfrentar a crise, entidades do setor defendem separar o custo real do serviço do valor pago na tarifa. A NTU propõe o Programa Transporte para Todos, que prevê um vale-transporte social financiado pelo Bolsa Família e a transferência do custeio das gratuidades para as áreas de Saúde, Educação e Assistência Social. Já a CNT estima que seriam necessários R$ 476 bilhões em investimentos para dobrar a extensão de corredores, faixas exclusivas e BRTs, além de ampliar a malha metroferroviária do país, segundo os dados apresentados na reportagem.





















