Pampa Energía planeja fábrica de ureia de US$ 2,7 bi na Argentina com gás de Vaca Muerta e mira mercado brasileiro
Projeto da Pampa Energía, em Bahía Blanca, deve usar gás de Vaca Muerta e iniciar operações no fim de 2029, mas depende de obras de infraestrutura.

Buenos Aires, A Argentina prepara a construção de uma nova fábrica de ureia com foco no agronegócio brasileiro. A iniciativa é da Pampa Energía e prevê investimento estimado em US$ 2,7 bilhões, segundo a CNN Brasil. A unidade utilizará gás natural extraído de Vaca Muerta, formação geológica argentina rica em petróleo e, principalmente, em gás, e a expectativa é que as operações comecem no fim de 2029.
Capacidade e localização
De acordo com as informações divulgadas, a fábrica de ureia granulada será construída em Bahía Blanca, na província de Buenos Aires, com capacidade para 2,1 milhões de toneladas por ano. A cidade já abriga a Profertil, cuja capacidade é de cerca de 1,3 milhão de toneladas anuais de ureia. O novo complexo, portanto, ampliaria de forma expressiva a oferta do produto no país vizinho.
Brasil depende de importações
O projeto chega em um momento sensível para o setor agrícola brasileiro. Um representante do governo brasileiro afirmou que o país tem interesse em ampliar a oferta regional de fertilizantes, incluindo a possibilidade de fornecimento argentino de ureia e potássio. Segundo os dados apresentados pelo secretário do Ministério da Agricultura, o Brasil consome cerca de 50 milhões de toneladas de fertilizantes NPK por ano e importa 92% desse volume.
No caso específico da ureia, a dependência externa também é elevada. Levantamentos citados pela imprensa do setor apontam que o país importa entre 7 e 8 milhões de toneladas por ano, e a Pampa Energía avalia que o Brasil deverá ser o principal mercado da nova planta. O tema ganhou relevância neste ano, já que os preços da ureia subiram, o que pressiona o custo de produção no campo.
Potássio também entra na pauta
Além da ureia, o governo brasileiro demonstrou interesse em outro insumo estratégico. O Brasil também quer importar potássio, com consumo estimado em 16 milhões de toneladas por ano, e o governo avalia alternativas para atender a demanda crescente, incluindo parcerias com a Argentina.
Do projeto ao investimento
A ideia não é nova. Em julho, o presidente da Pampa, Marcelo Mindlin, disse ao jornal Valor Econômico que o Brasil importa 8 milhões de toneladas de ureia por ano e que a Argentina tem potencial para atendê-lo. Na época, a estimativa de investimento era de US$ 2,5 bilhões, com decisão de aporte prevista para as semanas seguintes, valor que agora aparece atualizado para US$ 2,7 bilhões.
Desafio de infraestrutura
O aproveitamento do gás de Vaca Muerta, porém, depende de obras de transporte e processamento. Um estudo divulgado pela Bloomberg Línea aponta que a integração energética regional exigiria investimentos superiores a US$ 10 bilhões em infraestrutura de gás, o que representa o principal obstáculo para ampliar o fornecimento à região.
O que esperar
Se o cronograma for mantido, a Argentina passará a ser uma nova origem de ureia para o mercado brasileiro na virada da década, reduzindo a concentração das importações. Para o agronegócio, a possibilidade de contar com um fornecedor vizinho, com custos de frete menores, é vista como um ponto positivo, embora o projeto ainda esteja em fase de planejamento e sujeito à conclusão das obras de gás.





















